São Paulo – O que você faz quando tem uma ideia genial de negócio? Se sua resposta for escondê-la até que sua empresa seja inaugurada, saiba que você está prejudicando seu empreendimento mais do que imagina. Ao contrário do que empreendedores iniciantes imaginam, compartilhar o que você está pensando traz mais benefícios do que desvantagens.

Essa atitude de desapegar-se da posse de sua ideia é chamada de “inovação aberta”, explica Rafael Levy, um dos organizadores do movimento 100 Open Startups. “Esse conceito foi criado pelo professor Henry Chesbrough, da Universidade de Berekely, e significa um processo de inovação propositalmente aberto para além das fronteiras do próprio negócio. Ou seja, a abordagem pressupõe que nem todas as ideias e recursos para a inovação estão disponíveis ao empreendedor ou ao seu negócio.”

Sendo assim, por que muitos empreendedores ainda preferem a ideia para si? “Existe uma cultura no Brasil de que, ao mesmo tempo em que há muita interação, há também muito segredo sobre ideias próprias. Os empreendedores têm medo da cópia”, explica Diônes Lima, da Softex. “Isso é um entrave para a inovação. No Vale do Silício, por exemplo, há o entendimento de que alguém já está pensando no mesmo que você, quer você guarde segredo ou não.”

O que fazer para um negócio se dar bem, já que proteger ideias não dá certo? Aposte na qualidade de execução, recomenda Magnus Arantes, presidente do grupo de investimento Harvard Angels. “Existe quem possa roubar sua ideia durante o desenvolvimento do negócio? Existe. Mas, assim que você colocar seu produto no mercado, seu concorrente também pode ‘roubar’ sua ideia e deixá-lo para trás de qualquer jeito. A implementação é a chave do negócio, e não o pensamento em si.”

Ainda não se convenceu de que compartilhar sua ideia é a chave para o sucesso? Então, confira alguns outros benefícios que a chamada “inovação aberta” pode trazer:

1. Você consegue enxergar mais possibilidades

Não importa quão bom empreendedor você seja: é muito difícil enxergar todos os potencias problemas e vantagens da sua ideia em relação ao mercado já existente. Ao mesmo tempo, pequenas empresas e startups raramente têm muito pessoal ou muito dinheiro para averiguar melhor todas as possibilidades. Nessas horas, adotar a inovação aberta é uma boa opção.

“Se você pegar como exemplo qualquer grande empresa do mundo, há uma certa quantidade de bons membros, mas isso nunca será maior do que a quantidade de pessoas também boas fora dessa empresa, espalhadas pelo mundo. Pela inovação aberta, você traz a visão delas para dentro do seu negócio”, explica Arantes. “Coletivamente, temos uma inteligência maior do que individualmente – sempre terá alguém que enxergará o que você não está observando.”

Por meio dessas novas possibilidades, a empresa consegue diferenciar-se no mercado, diz Lima: seja ao criar novos produtos ou ao encontrar novos usos para velhos itens. “Você pode enxergar um nicho ou mercado que não tinha visto antes. Você evolui seu modelo de negócio e, consequentemente, cria novas formas de receita.”

2. Os melhores funcionários virão para sua empresa

Como você irá atrair um funcionário excepcional – ou formar um time qualificado – sem dar nenhum detalhe sobre a empresa que você irá inaugurar? Abrir o jogo desde o começo, explica Arantes, pode fazer com que mais pessoas se interessem pelo empreendimento e queiram se unir à causa. “Esses membros não serão apenas melhores para o cargo que você oferece, mas mais engajados na proposta da empresa, porque eles já a conhecem desde o início.”

Isso sem falar que esses funcionários podem ser aquelas pessoas externas à sua empresa que contribuíram desde o início para formatar seu modelo de negócio (veja a dica anterior). Mais do que empregados, eles serão realmente colaboradores.

3. Os custos são reduzidos

Quando você chama outras pessoas para contribuir na construção do seu negócio – algumas atuando até gratuitamente –, também está poupando o dinheiro que seria gasto em pesquisa de validade do modelo de negócios e de aceitação do produto no mercado.

Isso é especialmente verdade se sua empresa atuar no ramo da indústria, que possui custos altíssimos de pesquisa e desenvolvimento, afirma Lima. O empreendedor deixa de terceirizar essa atividade e entra pessoalmente em contato com parceiros de negócio, tirando conclusões dos diversos relacionamentos formados.

4. Sua execução é mais eficiente

Como já falamos, a ideia é apenas a ponta do iceberg: o que conta mesmo é sua capacidade de execução. Quando você guarda sua ideia para si mesmo, pode descobrir as falhas dela apenas quando o produto já for lançado.

“Por meio da inovação aberta, você recebe do mercado qual a necessidade existente; a chance de acertar é muito maior. Validando mais depressa, você logo percebe erros e pode consertar, lançando-se ao mercado mais rapidamente e com maior eficiência”, diz Lima. Ou seja: tempo e dinheiro poupados – dois itens de que todo empreendedor precisa desesperadamente.

5. Grandes empresas e fundos de investimento estarão mais de olho

As grandes empresas cada vez mais assumem uma postura de “amigas das startups”, procurando mentes brilhantes que resolvem seus desafios internos. Seu negócio pode aproveitar essa tendência: abrindo-se para corporações e para fundos de investimento, é possível conquistar contatos, feedbacks, mentorias e até mesmo premiações. Também torna seu empreendimento mais elegível para programas de aceleração, incorporação e investimento, explica Levy.

Todos esses itens são muito proveitosos para seu empreendimento e não seriam conseguidos se ele ficasse escondido de todo o mundo exterior. A partir da inovação aberta, você abre uma via de mão dupla com as corporações: ao mesmo tempo que seu negócio recebe benefícios, também vende suas soluções.

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