São Paulo - Entre as primeiras preocupações na saga para abrir uma empresa – envolve a escolha de um local, levantamento de documentos, contratações, estoques, etc –, a mais preocupante costuma ter nome, mas nem sempre endereço: dinheiro. Entre os caminhos mais buscados estão os empréstimos com familiares e amigos. Os bancos também são procurados por muitos, assim como os investidores-anjo.

O professor da Faculdade de Administração da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) Armando Terribili afirma que a chave do sucesso de qualquer negócio não está na quantidade de dinheiro, mas em uma boa ideia. “É algo inovador, que vai ao encontro do que o mercado está esperando e nem sempre precisa de muito dinheiro para ser implementada."

O caminho para conseguir o investimento previsto para o negócio passa, como todos sabem, pelo convencimento de quem tem o dinheiro. Para isso, um plano de negócios conciso e certeiro é imprescindível. Informações sobre produtos, objetivos, preços, expectativa de retorno, entre outros aspectos, devem estar explicadas em detalhes no roteiro.

Terribili acredita que só um plano de negócios bem estruturado é capaz de atrair investidores para o negócio. “Sem estimativa precisa de vendas, análise profunda dos custos fixos e variáveis, melhor não arriscar. Com estudo e conhecimento, vale a pena investir porque a probabilidade de sucesso é maior."

O que não é senso comum, no entanto, é sobre a quantidade de dinheiro necessária para dar o start na empresa. “Nenhum empreendedor de pequeno porte deve abrir um negócio com muito dinheiro, mesmo que tenha acesso a linhas de crédito”, destaca o professor de Empreendedorismo e Novos Negócios da Business School São Paulo, Evandro Paes dos Reis.

A afirmação pode parecer controversa, mas tem uma explicação simples. “No caso de pequenas empresas, excesso de dinheiro pode esconder falhas no processo e, ao crescer, essas deficiências podem se tornar crônicas e irremediáveis”, explica Reis. Um desses problemas é não valorizar o dinheiro. “Quando há limite de recursos, o empresário é mais criterioso em como usá-lo e esse hábito acaba se tornando benéfico no futuro, quando o negócio prospera”, diz o professor da Business School São Paulo.

Não mais que o necessário
Afinal, o que seria pouco dinheiro? Segundo Reis, pouco é o mínimo necessário. “Se o empreendimento precisa de 1 milhão de reais para começar, com 800 mil reais já consegue dar os primeiros passos", exemplifica.

A dica do especialista é captar investimento para cada fase da implantação da empresa. “Geralmente, empreendedores projetam o negócio e buscam dinheiro desde a execução até o fim. Ao invés disso, deveriam fazer em fases que demonstrem se o caminho está correto ou não”, avalia Reis.

O ideal, segundo o professor da Business School São Paulo, é fazer protótipos do negócio e testar. “O negócio pode, inclusive, ficar mais valorizado com um protótipo, que já demonstra como tudo vai funcionar e dá uma garantia ao investidor.”

Fonte de recurso
Desta forma, é mais fácil conseguir dinheiro. “Fundos de amparo à pesquisa, investidores-anjo, além dos mais óbvios, amigos e família, são as fontes de recurso a serem buscadas”, diz Reis. O professor da Faap Armando Terribili lembra, ainda, a possibilidade de se buscar o BNDES ou fundos de empréstimo pessoal. Cada empresário deve buscar recursos de acordo com o perfil da empresa.

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