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Piso criado por Flávio é moldado com uma mistura de cimento e rejeito de minério de ferro sedimentado, retirado do leito do córrego Alegria
Brasília - O rompimento de uma barragem em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), levou o jornalista Flávio Passos, de 60 anos, a pendurar o diploma e a investir em uma solução para o desastre ambiental que assoreou o córrego Alegria, um dos principais cursos d’água locais. Flávio conta que o ano de 1969 marcou o primeiro grande rompimento de uma das barragens das mineradoras que exploram o minério de ferro na área. Em 2001, outro acidente. Nos dois casos, morte de operários e graves impactos ambientais.
Apesar de não serem tóxicos, os rejeitos alteraram os parâmetros químicos, físicos e biológicos da água. A paisagem ao redor do córrego Alegria mudou. Não existem mais a mata nativa, o frescor dos espelhos d’água, nem a riqueza de peixes. As árvores, os lagos, os poços, as nascentes e as cachoeiras, no entanto, ainda estão na memória do empresário. “Sei que nunca mais será como antes, mas a retirada desses rejeitos é um passo importante e cada um tem de fazer a sua parte”, enfatiza o ex-jornalista.
O piso para pavimentação criado por Flávio para resolver a questão ambiental é moldado com uma mistura de cimento e rejeito de minério de ferro sedimentado, retirado do leito do córrego por escavadeiras. O produto foi batizado de Pavieco. Patenteado, pode ser usado em ruas, calçadas e praças.
“Meu orgulho é ver meu piso no chão de alguns estabelecimentos do município”, comemora o empresário. A iniciativa rendeu duas premiações à empresa Bacia Viva. O de maior destaque foi o Prêmio Sebrae em Minas de Práticas Sustentáveis, conquistado em novembro de 2011. “O Pavieco foi a solução mais simples que encontrei para recuperar o córrego que marcou a minha infância. Ele transforma passivos minerais em ativos ambientais”, destaca.
O ano de 2011 foi amargo para a empresa de Flávio. Os prejuízos quase colocaram tudo a perder. Com oito funcionários, ele não conseguia fechar as contas ao fim do mês. Não havia controle de fluxo de caixa e as retiradas eram irregulares. Havia mês que Flávio retirava R$ 70 mil do caixa. Noutro, o saque era de R$ 40 mil. Quando as máquinas quebravam, não havia como trabalhar. A produção média mensal era de 1,5 mil metros de pavimento ecológico.
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