São Paulo – Muitos negócios nascem a partir de problemas enfrentados no dia a dia. Esse foi o caso dos empreendedores Clayton Oliveira e Peter Chun: trabalhando para diversas startups na aceleradora Wayra, eles encontravam muitas dificuldades para almoçar. Quando iam comer fora do local de trabalho, enfrentavam calor, atrasos e brigas para decidir onde ir. Já quando pediam a comida por delivery, os pratos frequentemente chegavam errados e cada restaurante entregava em um horário diferente, acabando com a ideia de almoçar acompanhado.

Tanto Chun quanto Oliveira queriam poupar tempo e, ao mesmo tempo, comer pratos de qualidade e variados, prontos sempre na mesma hora. A solução dos empreendedores acabou virando um negócio, chamado Marmotex: uma startup voltada exclusivamente para o delivery de almoço corporativo.

O nome vem da junção das palavras “marmitex” e “marmota”, dois símbolos da empresa. O roedor hiberna durante o inverno e, ao acordar, procura comida desesperadamente para recuperar suas reservas energéticas. “Fizemos uma brincadeira, trocando o processo de hibernação pela agenda cheia de trabalho dos funcionários”, explica Chun.

A Marmotex foi criada no final de 2014, com um investimento de apenas 10 mil reais. Como tanto Chun quanto Oliveira trabalham na área de Tecnologia da Informação (TI), eles mesmos desenvolveram a plataforma. O investimento foi para embalagem, logística própria e pesquisas de mercado. A ideia deu tão certo que o faturamento para este ano é projetado em 400 mil reais.

Como funciona?

O usuário entra na plataforma e faz seu cadastro. É possível tanto participar de um grupo empresarial já existente quanto criar um novo grupo. Cada funcionário do grupo faz seu pedido, selecionando o prato que mais o agrada – ao todo, há doze restaurantes presentes no site, cada um com sua culinária específica.

Após pedir, é possível colocar qual o horário da entrega. Caso a entrega seja para o mesmo dia, o pedido deve ser feito até 10h da manhã, para que os restaurantes e a Marmotex possam se preparar. Também há a possibilidade de deixar entregas agendadas para a semana inteira. Não há taxas adicionais, como de entrega ou de serviço.

No prazo agendado, todas os pedidos que o grupo fez pela plataforma serão entregues, fazendo com que os colegas possam comer a culinário que quiserem e no mesmo horário.

O pagamento é sempre cobrado mensalmente, em um procedimento parecido ao de uma fatura de cartão. Segundo Chun, os preços praticados na plataforma são os mesmos que cada restaurante costuma cobrar – o ticket médio é de 25 reais.

Porém, existem alguns descontos ocasionais. Por exemplo, quando mais de dez usuários pedem, a bebida sai de graça para todos; às sextas-feiras, há uma sobremesa de graça. Outra chance de ganhar condições especiais é se houver um acordo firmado entre a Marmotex e o departamento de Recursos Humanos da empresa cadastrada, e não apenas pelos funcionários da corporação.

Com uma parceria nesse molde, mais benefícios são oferecidos: por exemplo, a startup Vaniday já fez uma ação em que deu 25 reais em serviços de beleza para todos os funcionários da companhia, e não apenas para o grupo que usava o Marmotex. O objetivo é claro: a Marmotex consegue ativar ainda mais a base de clientes dentro da empresa, conseguindo novos adeptos sem muitas complicações logísticas.

Atualmente, a startup entrega uma média de 35 refeições por dia e atende os bairros Vila Olímpia, Faria Lima e Brooklin, em São Paulo.

Mudança de modelo

Quando a Marmotex começou, os empreendedores ainda não tinham muito conhecimento do setor. Era possível que qualquer usuário se cadastrasse e fizesse seu pedido, o que fazia com que as entregas tivessem muita distância entre si e fossem feitas em diversos horários do dia, prejudicando o atendimento.

Por isso, há três meses a startup resolveu mudar seu modelo de negócios (uma ação conhecida como “pivotar”). O serviço voltou-se para grupos maiores e em locais mais próximos, o que ajudou a centralizar a logística.

Com todos os pedidos sendo feitos até 10h da manhã, o restaurante já recebe todos os pratos que precisa preparar nesse dia. Às 11h, a Marmotex começa a retirar os pratos e entregá-los nos horários e locais combinados. Só é preciso passar uma vez por dia em cada restaurante, portanto, e as entregas são feitas em horários parecidos.

No modelo antigo, a startup tinha uma base de mil usuários e um faturamento de 5 mil reais mensais. Após a mudança, a Marmotex passou a ter mais de dois mil usuários (dados atuais) e um faturamento médio mensal de 20 mil reais. Sem gastar nada em marketing e divulgação, ressalta Chun.

Como proposta de monetização, a startup cobra de cada restaurante um valor fixo por prato, que pode ser diminuído de acordo com a quantidade de pratos pedida.

Previsões

Nos últimos dias de operação, a Marmotex viu um aumento no número de pedidos: da média de 35 pedidos diários, o negócio passou a receber entre 50 e 70. A meta para este ano é manter o novo patamar, mas chegando a 150 restaurantes cadastrados no site.

Além do aumento nos pedidos e no número de restaurantes, a startup também quer dar um grande salto no número de usuários: até o final de 2016, pretende ter 50 mil consumidores. Chun conta que a estimativa já considera a expansão para novos bairros – Chácara Santo Antônio, Paulista e Pinheiros – e também o potencial de crescimento da rede com mais investimentos em divulgação.

Para financiar essa expansão, a Marmotex está na fase final de negociação de um aporte. O comunicado oficial sobre o investimento sairá nas próximas semanas.

Tópicos: Alimentação, Trigo, Empreendedores, Ideias de negócio, Startups