São Paulo – Felipe Mansano e Lucas Mendes, ambos com 27 anos, se conheceram na Escola Politécnica da USP em 2002 e fizeram especialização juntos na França. Mansano trabalhava no Goldman Sachs e Mendes, na consultoria estratégica da Bain & Company. No ano passado, a dupla deixou o universo financeiro de lado e decidiu apostar em salões de beleza.

“A gente trabalhava no mercado financeiro e sempre acreditou no potencial de crescimento do setor de beleza e da nova classe média”, explica Mendes.

Os dois passaram um ano e meio projetando e pesquisando a MissBela, que funciona como uma franquia de conversão, em que se aplica a marca em uma salão de beleza já existente.

“O modelo de negócio que escolhemos é resolver um problema do cliente para montar um negócio que faça sentido. Nesse ramo, o principal entrave é a informalidade”, justifica Mansano. O principal modelo de franquia de conversão estudado pelos empreendedores foi o da rede de farmácias Farmais.

Os salões de bairro voltados para a classe C, com faturamento mensal entre R$ 20 mil e R$ 40 mil, e que tem no dono o principal cabeleireiro são os principais focos de atuação da MissBela. “Escolhemos esse modelo de franquia porque descobrimos que a marca não teria nenhum diferencial competitivo saindo do zero, seria só um risco que a gente não queria correr”, diz Mansano.

A dupla de empreendedores estudou o mercado e descobriu que o principal problema dos salões é a mão de obra. “O giro é muito alto e a baixa fidelidade do profissional com o salão prejudica o dono. Para a pessoa se sentir a vontade, é importante que exista uma comunicação adequada e o colaborador é parte fundamental para isso”, diz Mansano.

Para proporcionar essa comunicação mais agradável e que fidelize os clientes, os jovens também investiram em um centro de treinamento, criando um banco de dados de profissionais.

“Nosso primeira foco de atuação, além da conversão, é transformar os colaboradores em bons profissionais. Temos um banco de pessoas cadastradas e acompanhamos a seleção dos escolhidos”, conta Mendes. Com palestras e aulas, os dois contam com a ajuda de um dos principais cabeleireiros de São Paulo, Ricardo Cassolari.
 

A conversão inclui os custos de reforma, que ficam em torno de R$ 200 por metro quadrado, mais R$ 15 mil de taxa de franquia, royalties de 2 salários mínimos e taxa de marketing de mais um salário mínimo mensais. “A vantagem é que o dono já está lá e sabe como ganhar dinheiro. Com a conversão, ele agrega escala à marca, padronização visual e melhor atendimento”, explica Mansano.

“O empresário fatura até 30% mais depois da conversão”, completa Mendes. A meta é converter dez salões até o final do ano. Até agora, só um modelo piloto está em operação, em Moema.

Outra área de atuação da empresa, além do treinamento e das franquias, é o salão corporativo. Com mais de 300 profissionais cadastrados em banco de dados, leva-se a estrutura de um salão para dentro de outros locais, como lojas.

“A gente monta um dia de beleza em alguns lugares a pedido da empresa”, diz Mansano. A ação já foi feita em lojas do Magazine Luiza, para comemorar o dia das mulheres.

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