São Paulo – Ir à feira e beber um caldo de cana gelado é um prazer que faz parte da vida dos brasileiros há décadas. Então, por que ninguém ainda inventou o caldo de cana em caixinha? Foi justamente essa pergunta que levou as irmãs Ana Carolina Salles Leite Viseu e Ana Maria Leite a iniciarem a Acana, marca que vende o caldo (também conhecido como garapa) em embalagens Tetra Pak. Elas lançaram o produto em setembro do ano passado, já exportam para países como o Japão e esperam faturar R$ 5 milhões em 2016.

“A ideia surgiu num almoço familiar”, lembra Ana Carolina. A história da família com a cana-de-açúcar já é antiga. Eles têm uma fazenda em São Carlos há várias gerações, e desde 1950 a propriedade é usada para plantação de cana, sendo que parte da produção ia para os garapeiros.

“Percebemos que a água de coco já estava na caixinha, e o açaí também. Fizemos uma pesquisa e vimos que havia um mercado para o caldo se industrializar”, conta Ana Carolina. As irmãs então entraram de cabeça no projeto e passaram dois anos desenvolvendo o produto, com a ajuda de engenheiros de alimentos. O objetivo de tanta pesquisa era garantir um caldo gostoso como o da feira, com durabilidade na caixinha e sem conservantes.

E elas conseguiram. “O nosso caldo não tem conservantes ou outros produtos químicos. É só caldo mesmo. Com a diferença de que você não corre o risco de passar mal depois, como às vezes acontece na feira, já que o nosso é produzido num processo industrial”, afirma Ana Carolina, que antes do negócio atuava no mercado financeiro, enquanto sua irmã Ana Maria trabalhava como jornalista.

Com a receita em mãos, as sócias investiram na montagem de uma fábrica para a garapa, que fica na própria fazenda em São Carlos. A localização permite que a cana seja rapidamente moída após a colheita, requisito crucial para garantir a durabilidade do produto na embalagem, explica a empreendedora.

Outra preocupação diz respeito ao impacto que a produção tem no meio ambiente. A fábrica foi projetada para ser sustentável e estar de acordo com a lei, garante a empreendedora. A palha da cana (que por lei não pode ser queimada) é usada para produzir lenha verde. Já a água usada no processo volta para o ambiente somente após tratamento adequado. No total, o negócio já recebeu R$ 3 milhões em investimento.

Mercado da saudade

A ideia inicial das sócias era produzir basicamente para exportação, com foco especialmente no mercado da saudade: brasileiros que vivem no exterior e querem consumir produtos que encontravam na terra natal. Porém, o produto da Acana também tem tido grande aceitação nas redes de supermercados daqui. “Já estamos nas prateleiras de redes como Carrefour, Walmart, St Marche e Zaffari, e negociando com o Pão de Açúcar”, comemora Ana Carolina.

Para ela, o interesse dos varejistas tem duas razões principais: a novidade e o apelo saudável do produto. “O caldo entra na onda dos produtos saudáveis. Ele tem a mesma quantidade de calorias do suco de uva integral, e nutrientes como vitamina C, potássio, ferro e manganês. Além de ser livre de glúten”, afirma a empreendedora.

Para 2016, o objetivo é levar o caldo para lojas de fora de São Paulo, como o Rio de Janeiro, que deverá ser uma prioridade por conta das Olimpíadas. Elas também estão focadas em expandir as exportações. Até agora, já enviaram o caldo de cana para Japão e Canadá. A documentação para exportar para os Estados Unidos já está em ordem e esta deve ser a próxima aposta das empreendedoras.

Além dos brasileiros que vivem lá fora, elas acreditam que o fator “exótico” deve atrair consumidores em busca de novidades com apelo saudável. A expectativa é faturar R$ 5 milhões até o fim do ano. 

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