São Paulo - Ao que tudo indica, a indústria de private equity e venture capital se estabelece de vez no Brasil. O setor cresce 45% ao ano desde o final de 2004. As informações são do 2º Censo Private Equity e Venture Capital, feito pelo Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital (GVcepe) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP) em parceira com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

O estudo aponta que as organizações têm US$ 17.8 bilhões disponíveis para investir nos próximos 3 a 5 anos. Isso se confirma com dois fatos: 98% das organizações gestoras testão buscando novos investimento e 81,5% esperam levantar novos veículos para investir no Brasil nos próximos 3 anos.

Em 2009, o montante para ser investido era de US$ 36,1 bilhões, 25% a mais do que em 2008. Ao todo, foram investidos US$ 6,1 bilhões. Pelo levantamento, as empresas de informática e eletrônica são as mais requisitadas pelos fundos, levando 20,5% do total. Em seguida, aparecem na lista companhias das áreas de construção civil (13,7%), energia e combustíveis (11,2%), comunicação (6,6%) e varejo (5,2%).

Em relação ao porte, o segmento de venture capital, que inclui capital semente, representa 43% e o segmento de capital para expansão, 36,5%. Ao todo, o setor tem 500 empresas em portfólio, emprega mais de 1500 pessoas e representa 2,3% do PIB, abaixo da média global de 3,7%.

Cresceu também a quantidade de gestoras envolvidas nesta indústria. Eram 71 há sete anos e hoje são 180, sendo que 70% das organizações são privadas e independentes. Entre os 10 maiores em volume de capital, estão grupos nacionais e de países como Estados Unidos, Inglaterra, Portugal e Espanha.

A pesquisa ouviu 144 organizações gestoras e constatou que entre 2005 e 2009 foram feitos 414 novos investimentos, sendo que 137 resultaram em saídas e o restante em IPOs, sigla para ofertas públicas iniciais em bolsa de valores. Neste mesmo período, o capital investido foi de quase US$ 28 bilhões.

Em uma visão global, a indústria teve uma retração em 2009 no mundo, passando de US$ 636 bilhões para US$ 246 bilhões. No Brasil, o movimento foi contrário, a captação foi de US$ 4,6 bilhões para US$ 6,1 bilhões. Hoje, o país é responsável por 2,5% dos investimentos deste tipo no mundo.

Tópicos: Capital de risco, Private equity, Startups