São Paulo – Mais focadas, curiosas e atentas. Estas seriam as principais características de mulheres à frente de franquias. Hoje, elas representam 48% dos franqueados no Brasil. As unidades sob o comando feminino podem ter faturamento até 34% mais alto. Os dados são da pesquisa anual do perfil do franqueado brasileiro, realizada pela consultoria Rizzo Franchise, e divulgada com exclusividade a EXAME.com.

O estudo mostra ainda que existem mais de 65 mil mulheres comandando franquias e quase 500 mil se candidataram à compra em 2013. A participação das mulheres neste mercado cresceu 6,9% no último ano. Para Marcus Rizzo, que comandou o estudo, as mulheres encontram nas franquias uma chance de desenvolver suas carreiras. “O faturamento maior se deve a uma característica muito forte. É uma questão de permanência nos negócios. Elas têm uma permanência mais constante e isso gera resultado. Franquia é negócio de barriga no balcão”, diz Rizzo.

Mirian Delavalli, 46 anos, é um exemplo disso. Depois que o marido ficou sem emprego, o casal resolveu investir as economias em uma franquia da Patroni Pizza, no Rio de Janeiro. Hoje, a unidade tem o segundo maior faturamento da rede, chegando a 200 mil por mês.

Para Mirian, a complementariedade entre ela e o marido ajudaram no negócio. “Ele é frio, calculista e objetivo. Tudo que ele é eu não sou. Quando a gente dividiu nossas tarefas, naturalmente, eu preferi lidar com as pessoas, os funcionários e com detalhes”, conta.

A atenção ao detalhe é também responsável pelo melhor resultado. “As mulheres são mais presentes, fazendo o negócio acontecer, se envolvendo. Elas usam a disponibilidade de maneira muito intensa e com mais vontade de aprender”, afirma Rizzo. 

Hoje, os setores mais procurados pelas mulheres são saúde e beleza, acessórios e fast food. Apesar disso, negócios mais “masculinos” também são explorados pelas empreendedoras. “A gente começa a ver muitas mulheres em negócios tipicamente de homens, como posto de gasolina a oficina. Ainda não é representativo, mas é um movimento forte”, explica o consultor.

Setor % de interessadas % de franqueadas
Saúde e beleza 14,8 18,4
Acessórios 11,9 14,7
Fast food 11,2 13,9
Vesturário 9,7 12,0
Alimentação 8,1 10,0
Móveis e Decoração 7,6 9,5
Serviços 6,4 8,0
Educação 4,2 5,2
Livros 3,4 4,3
Serviços Especiais 3,2 4,0

A flexibilidade feminina aparece também na criação de novas redes. É o caso de Maria Eduarda Pessôa de Queiroz, sócia-fundadora da Play Space, franquia de espaços recreativos em shoppings. Para contornar um ponto ruim no shopping, Maria Eduarda apelou para os sentidos. “Resolvi fazer pipoca e torcer para as pessoas virem atrás do cheiro. E isso aconteceu”, conta.

Depois de 15 anos no mercado, começa a vender suas primeiras franquias. “Foi um desafio, igual um filho. Eu fui entregar os manuais e titubeei. Parecia que era um filho que eu estava entregando e foi uma sensação dúbia na hora. É uma mistura de história de vida e da empresa”, confessa.

A motivação é, segundo o estudo, uma das características determinantes para o crescimento das mulheres neste mercado. É o caso de Eloisa Oliveira Kalaf, franqueada da rede Mr. Kids. Ela se divide entre uma empresa da família e as máquinas de vendas de brinquedos. Depois de muitos testes, conseguiu chegar a um resultado satisfatório. “Eu tiro de 6,5 mil a 7 mil reais ao mês. O desafio maior é você conseguir fidelizar um ponto bacana e que seja rentável”, conta. 

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