São Paulo – A Páscoa de 2016 não será lembrada como um bom momento para os fabricantes de chocolate. Uma projeção feita pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) indica uma queda de 3,4% nas vendas este ano. Porém, segundo o empreendedor Márcio Magnus, a data tem sido a melhor da história de sua marca de chocolates artesanais, a Chocolateria Gramado.

Para atender à demanda por preços mais baixos em meio à crise econômica, Magnus optou por oferecer ovos sofisticados, porém, menores (com 50 gramas). Resultado: foram mais de 100 mil unidades vendidas somente este ano. Em 2015, a Chocolateria faturou R$ 8 milhões de reais.

Ao comemorar os bons resultados, o empreendedor afirma que eles são fruto do amadurecimento da marca (que completa 6 anos) e também da forma como eles se adaptaram ao momento da economia.

“Tivemos sensibilidade para entender que o cliente está mais exigente no custo-benefício. Optamos então por preços arrojados, para ganhar mais no giro do que na margem. Também desenvolvemos ovos trufados menores. Assim, o cliente consegue ter um produto requintado sem gastar tanto”, explica Magnus. Os mini ovos foram produzidos nos sabores morango, tortinha de limão, maracujá e brigadeiro, e vendidos a 7 reais. O produto já está esgotado.

Fundada em 2010, a Chocolateria Gramado nasceu com o objetivo de levar a fama dos chocolates artesanais da cidade gaúcha para o restante do país. Hoje a marca tem mais de 50 lojas espalhadas pelo Brasil.

“Nosso processo é feito com ajuda de máquinas, já que são toneladas de chocolate, mas o acabamento é feito à mão de forma artesanal”, afirma Magnus, que iniciou o negócio ao lado de outros três sócios, todos de sua família. Para criar a marca, os empreendedores recorreram a 100 mil reais emprestados.

Para expandir a Chocolateria, os empreendedores apostam no sistema de licenciamento para outros comerciantes: diferente do modelo de franquias, o licenciamento dá um pouco mais de liberdade para o empreendedor, que pode vender outros produtos em sua loja, além dos chocolates Gramado – uma boa alternativas para quem vende itens sazonais, como é o caso dos chocolates.

Agora, além das lojas licenciadas, a marca tem investido na venda direta, com revendedores conectados a um sistema na internet. A modalidade já ajudou a garantir o sucesso da Páscoa de 2016, afirma Magnus.

“Estávamos com dificuldade de transpor uma barreira de crescimento e por isso pensamos nessa alternativa. Agora queremos ser uma Netshoes do chocolate”, conta o empreendedor, em referência à marca que vende calçados pela internet. Diz que já foi abordado por interessados em comprar sua marca, mas garante que a Chocolateria não está à venda. No entanto, os sócios têm intenção de expandir o negócio e consideram contar com investidores. 

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