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Iniciativa: empreender está além de criar uma empresa. É um comportamento que pode ser trabalhado desde a infância
São Paulo – Quando decidiu abrir seu próprio negócio, a farmacêutica e bioquímica Vanessa Vilela só tinha a formação técnica para tirar a Kapeh, empresa de cosméticos a base de café, do papel. Depois de participar de um curso intensivo de empreendedorismo, o Empretec, Vanessa foi eleita uma das dez melhores empreendedoras do mundo, segundo a ONU. A educação potencializa os novos negócios e a Kapeh é prova disso. Hoje, exporta seus sabonetes e hidratantes, fatura mais de 1 milhão de reais e emprega, direta e indiretamente, 150 pessoas. “Estudar me deu mais experiência e confiança de que eu estava no caminho certo”, explica a empresária.
Assim como a Kapeh outras milhares de empresas poderiam usufruir os benefícios da sala de aula. Mas muito poucas o fazem hoje. De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), de 2010, só 9% da população adulta brasileira teve acesso ao ensino de empreendedorismo e 3% aprenderam a criar seus próprios negócios durante a universidade. “O Brasil é um dos países que tem o pior índice de educação empreendedora”, opina Juliano Seabra, diretor de educação da Endeavor, instituição que apoia projetos com alto potencial de crescimento.
O começo
As primeiras iniciativas de aulas de empreendedorismo no Brasil aconteceram em 1981, na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Um dos pioneiros é Ronald Jean Degen. Para ele, a universidade é o momento de máxima criatividade e ideal para a criação de novas empresas. Mas não é só no Brasil que este potencial é subaproveitado. Um levantamento especifico sobre o tema, feito em 2008 pelo Global Entrepreneurship Monitor, mostra que ainda falta um esforço maior em educação empreendedora na maioria dos países. Nas 38 nações pesquisadas, 21% da população adulta que abriu um negócio recebeu algum tipo de treinamento. ”A educação empreendedora é um fenômeno novo no mundo inteiro”, justifica Tales Andreassi, professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV-EAESP.
O Ministério da Educação não tem dados sobre a disponibilidade e o alcance das aulas de empreendedorismo no Brasil. Apesar disso, os efeitos são sentidos por quem acompanha de perto os alunos. “A gente percebe que hoje os universitários estão mais dispostos a abrir uma empresa do que entrar em um programa de trainee, por exemplo. Isso não acontecia há cinco anos atrás”, explica Marcio de Oliveira Santos Filho, coordenador do Desafio Brasil, concurso de startups organizado pelo Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da FGV-EAESP, e associado da gestora Inseed Investimentos.
Ensinar a empreender não garante que a empresa vai ser um sucesso ou faturar milhões. A diferença é deixar o empresário mais preparado para lidar com problemas. “Lançar um novo negócio pode ser um risco. As estatísticas sugerem que seis a cada dez novas empresas vão falir nos Estados Unidos. Neste caso, a educação empreendedora pode ajudar a evitar o fechamento precoce”, explica Andrew Zacharakis, diretor do Centro de Estudos de Empreendedorismo da Babson College, uma das principais instituições de ensino deste tipo no mundo.
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