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São Paulo - Como se não bastasse o fraco desempenho econômico do Brasil neste ano, uma notícia divulgada nesta sexta-feira conseguiu adicionar mais tensão entre empresários e investidores brasileiros. A China, segunda maior economia do mundo, está desacelerando a olhos vistos. Falar que o país cresceu “apenas” 7,6% no segundo trimestre deste ano parece ironia, mas é um número que preocupa o mercado por ser a menor patamar desde o primeiro trimestre de 2009.
Já era certo que a piora da crise internacional e, consequentemente, a queda da demanda global levariam a China a um cenário de desaquecimento. O dado revelado nesta sexta-feira apenas confirmou a força deste movimento. O temor reinante hoje no Brasil reside nos efeitos dessa desaceleração, haja vista que a atividade econômica doméstica não está em sua plena forma. O IBC-Br, do Banco Central, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,02% em maio, após ter crescido apenas 0,10% no mês anterior. Com isso, analistas já revisam – para baixo – suas estimativas de expansão do PIB para este ano.
Na avaliação do economista da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira, o ponto mais preocupante refere-se à diminuição no ritmo de expansão de encomendas, especialmente nos segmentos mineral e agropecuário. “Todos os países emergentes estão sendo impactados pela desaceleração chinesa, já que o país compra muitos produtos primários. Na Ásia, África e América Latina, os efeitos são mais vigorosos”, disse.
Em outras palavras, dificilmente o Brasil será beneficiado por taxas de crescimento das exportações ao mercado chinês tão expressivas como as de 2009/2010 (alta de 52,47%) e 2010/2011 (43,94%). Há três anos, a China é o principal parceiro comercial do país. As exportações nacionais para os chineses somaram 44,3 bilhões de dólares no ano passado – número que representou 17,3% do total das vendas externas, de 256,0 bilhões de dólares.
Roberto Dumas Damas, especialista em economia chinesa do Insper, é um pouco mais incisivo quantos aos efeitos dessa velocidade menor do avanço econômico chinês. Ele destaca que o desaquecimento da economia mundial acabou levando Pequim a procurar novos países consumidores para seus produtos, já que Estados Unidos e Europa diminuíram drasticamente seu patamar de consumo. O Brasil é uma das opções "à mesa". “A China vai intensificar a venda de produtos excedentes ao mercado brasileiro. Com isso, as indústrias têxtil, calçadista e de manufaturados, em especial, serão afetadas pela maior concorrência”, prevê. Em maio, a produção industrial brasileira caiu 0,9%.
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