São Paulo – Oferecer saladas saudáveis e prontas para comer num pote. Essa foi a ideia de negócio que o empreendedor Acchile Biagioli teve há pouco mais de um ano, quando tentava encontrar uma saída para a crise que afetava a agência de publicidade onde trabalhava, em Itu (interior de São Paulo).

Só havia um problema, ele não tinha um tostão para investir. “Eu não sabia nem como ia terminar o mês”, lembra o empreendedor. A falta de dinheiro, no entanto, não o impediu de continuar. “Peguei 200 reais no cartão de crédito da minha noiva e fui comprar vegetais e potes para começar a produção”, conta.

Com o material nas mãos, Biagioli precisou resolver outro problema: a falta de espaço para produzir as saladas. Mas esse obstáculo tampouco impediu o empreendedor de seguir adiante. “Comecei a produzir na cozinha da agência mesmo. Era daquelas cozinhas só com café, geladeira e micro-ondas . Fiz a maior bagunça”, lembra.

Com as primeiras saladas prontas, Biagioli testou seu produto entre os amigos e colegas de trabalho. Consultou nutricionistas para garantir um cardápio balanceado e se preparou para começar a vender.

Nascia dessa forma a Saladenha, marca que vende saladas, caldos, frutas, sucos e lanches para quem está em busca de uma alimentação saudável e prática. O amigo e até então chefe na agência de publicidade Leandro Telles (que cedeu a cozinha onde tudo começou) gostou da ideia e entrou na sociedade. A noiva, Leidiane Carvalho, investiu mais mil reais no negócio e também se tornou sócia.

O negócio das saladas funcionava basicamente pela internet, através do Facebook. “O começo foi de muita ansiedade. Vendemos uma única salada no primeiro dia”, conta Biagioli, lembrando que a venda dos potes era fundamental para que ele conseguisse pagar as contas no mês seguinte. Depois de duas semanas, porém, o cenário começou a mudar e, no 14º dia, os sócios comemoraram a venda de 50 saladas.

Pouco depois veio outra notícia boa: a empresa conseguiu uma cozinha maior, com a condição de começar a pagar o aluguel somente seis meses depois. A operação começou a tomar forma, com motoboys para entregar os produtos. Nessa época, quando a Saladenha vendia apenas via delivery, o faturamento da empresa recém-criada já chegava aos 40 mil reais mensais.

Aporte de R$ 1,5 milhão

O negócio continuou crescendo. Um investidor se interessou tanto pela ideia que fez um aporte de 1,5 milhão de reais. Era o fôlego que os sócios precisavam. Com o dinheiro, eles puderam estruturar um modelo de negócio, reforçar a marca e aperfeiçoar produtos para abrir a Saladenha para o franchising.

Resultado: pouco mais de um ano depois da primeira salada, a marca já tem três lojas franqueadas, nas cidades de Salto, Itu e São Roque (todas no interior de São Paulo), além de uma quarta loja e dois food trucks em construção.

E o que Biagioli nos diz sobre a crise que tanto o preocupava um ano atrás? “Crise? Que crise?”, brinca o empreendedor. “Como surgimos e conseguimos crescer dentro da crise, imaginamos que quando ela acabar vamos crescer ainda mais.”

A expectativa dos empreendedores é que a marca fature 1 milhão de reais neste verão (período entre dezembro de 2015 e abril de 2016). Para este ano, a meta é abrir mais dez lojas, além de dois food trucks que já estão sendo construídos.

Para ter uma franquia da marca, é preciso investir 200 mil reais, fora o capital de giro, que fica em torno de 20 mil reais. O retorno do investimento demora entre 18 e 24 meses. Segundo Biagioli, uma loja da Saladenha fatura em média 60 mil reais por mês, sendo que a taxa de lucro é de 14% a 18%. 

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