São Paulo - Fofoca, estresse e descontentamento. Essas são algumas características de um ambiente de trabalho pesado, que contribui para uma equipe pouco disposta a buscar os melhores resultados para a sua empresa. Muita gente gostaria de trabalhar em ambientes como o criado pelo Google. Salas de jogos, cores vivas, sofás e poltronas confortáveis e descontração para aliviar o peso de ter que garantir os melhores resultados.

Para proporcionar um ambiente de trabalho mais leve, é preciso investimento e dedicação. “Passamos as melhores horas do dia e os melhores anos da nossa vida no trabalho”, enfatiza Maria Cecília Coutinho, professora do departamento de Mercadologia da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O clima desagradável compromete o rendimento dos funcionários e a própria atividade da empresa à sociedade.

Adriana Gomes, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que a proximidade do empreendedor com a equipe facilita identificar quando o ambiente não está dos mais agradáveis. “Às vezes, ele está tão envolvido no trabalho que não percebe o que alguém de fora, como uma consultoria, vê”, diz Adriana.

Os sintomas são notados no mapeamento de processos, quando há gargalos de produção e pontos de conflito. Parte do peso deste diagnóstico é do líder, que pode usar erroneamente da autoridade para impor processos que não seriam os mais adequados.

Na empresa Acesso Digital, conhecida por imitar os ambiente de trabalho descontraído do Google, os trabalhadores têm espaços para fazer pausas e até cuidar da saúde durante o expediente. “A gente acredita no conceito de liberdade. Aqui os funcionários podem trabalhar do jeito deles, de casa ou nos nossos ambientes, mas todos têm metas mensais para cumprir”, destaca o presidente Diego Torres Martins. Confira a seguir as dicas para tornar a sua empresa um local de trabalho agradável e fazer o trabalho render mais.

1. Tenha um ambiente confortável

Na própria decoração e disposição dos ambientes de trabalho, o gestor pode fazer modificações com a ajudar de um designer, para deixá-los mais agradáveis e confortáveis. A implantação destes ambientes deve funcionar como uma via de mão dupla, em que o empregado deve ser estimulado a frequentá-lo, mas deixando claro o que se espera sobre o desempenho dele. “Não adianta implantar se não existe essa cultura dentro da empresa”, diz Adriana. Por isso, não adianta fazer espaços de descanso e reclamar que as pessoas estão usando.

2. Fale sobre salário

Sobre comentários em relação à diferença salarial, o recomendável é que o assunto seja discutido com o RH da empresa. De qualquer forma, o salário também envolve o nível de competência que cada funcionário utiliza no trabalho.

É importante também que a empresa tenha um plano de carreira para os funcionários. Pequenas e médias empresas têm atraído jovens funcionários interessados em adquirir experiência em diferentes áreas do mesmo negócio, já que a equipe é mais enxuta. Segundo Maria Cecília Coutinho, a possibilidade de crescimento pode ser mais rápida, porém é um caminho mais curto em relação às companhias de maior porte. “Deve haver o acompanhamento do plano de carreira alinhado ao projeto de expansão da empresa”, diz.

3. Estimule a participação

Dê mais um passo no envolvimento dos empregados com o seu negócio. Proponha uma política de trabalho mais próxima, que permite ouvir, estudar e acatar algumas sugestões dadas por eles, seja na redução de custos, no contato com o cliente ou nos tipos de premiações.

Considere também a ideia de ajudar na qualificação do funcionário, desde que mostre que seja em uma área relacionada à função que ele desempenha e a importância do trabalho dele para o futuro da empresa.

Funcionários desanimados geralmente compartilham a insatisfação e os problemas dos demais colegas, do chefe e da estrutura da empresa. A postura se torna habitual e permite fofocas que podem gerar consequências desagradáveis. Para a professora da FGV, o primeiro passo para amenizar o clima no trabalho é acabar com esta postura nos funcionários.

A orientação é que se converse com a pessoa para resolver o problema. “Tem que esquecer o passado para viver o dia, o que ajuda a ser mais otimista e a ter um clima mais leve, por mais dificuldades que se tenha”, comenta Maria Cecília. É função do gestor alertar a todos que problemas pessoais devem ser resolvidos fora da empresa e ressaltar a importância da sinergia e colaboração de todos nos resultados. “O gestor tem que gostar de pessoas e não de processos”, diz Adriana.

4 Organize-se

Mesa, gaveta e qualquer outro espaço que o funcionário utiliza devem estar organizados. A sugestão deve ser dada não para atender aos caprichos do chefe, mas porque ajuda na fluidez do trabalho. Um ambiente desorganizado toma tempo e compromete o desempenho. Maria Cecília orienta que o líder busque treinamento externo para a equipe sobre como administrar melhor o tempo ou avaliar a possibilidade de uma redistribuição de tarefas.

5. Distribua melhor as tarefas

Excesso de trabalho também prejudica o clima no escritório. A rotina gera estresse e pouca contribuição. Segundo a professora da FGV, ter uma vida saudável fora do trabalho é essencial. Se for o caso, estimule que as pessoas trabalhem dentro do horário ou redistribua as tarefas. “Os funcionários começam a entender o que é família, exercício físico e passam a conviver melhor entre eles porque voltam a ter uma vida fora do trabalho”, diz.

6. Estabeleça metas possíveis

Há empresários que pensam erroneamente que estipular uma meta acima do que os funcionários podem alcançar é fazer com que eles se esforcem mais. Para a professora da FGV, a estratégia pode gerar sentimento de frustração e incompetência e provocar esgotamento. O quanto cada funcionário deve produzir pode fazer parte do planejamento da empresa para o ano seguinte.

Na Acesso Digital, existem premiações para quando as metas são atingidas e toda a equipe ganha. “É incrível ver que mesmo os funcionários que não têm uma relação direta com as vendas contribuem para a motivação da equipe toda”, diz Martins.

7. Seja um exemplo

Muitas vezes, o líder acha que o funcionário deve fazer tanto quanto ele ou ter a mesma competência para fazer o trabalho que ele também faz. “Líder tem que dar exemplo”, destaca Maria Cecília. Em outros casos, os donos de pequenas e médias empresas acabam sendo mais autoritários do que líderes. “É diferente mandar e ter a colaboração dos funcionários. Estas empresas surgem do conhecimento técnico do dono, que pode não ter noções sobre gestão”, diz Adriana.

8. Seja transparente

O momento da demissão não é fácil para ninguém. “O empregado tem que aprender com a demissão. Então que diga se é porque ele estava na linha de corte ou porque errou”, diz Maria Cecília.

Se for o caso, o gestor pode e deve checar a conduta do empregado com colegas e conversar com ele para melhorar o desempenho. “Assim ele não é pego de repente”, diz. Quem trabalha junto com o demitido tem o direito de saber o motivo para evitar que fofocas circulem. Em pequenas e médias empresas, o contato costuma ser mais próximo, o que permite que o gestor enxergue e explore o potencial dos trabalhadores.

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