São Paulo – Você provavelmente conhece alguém que está na mesma situação que Annie Lawless estava: há cinco anos, ela estudava Direito e tinha dificuldades para sair da cama. Mesmo que estivesse indo bem nas aulas, sentia-se profundamente deprimida e sabia que algo precisava mudar.

Porém, o que faz a história de Annie ser única é que ela largou a faculdade e resolveu criar um negócio – que acabou milionário. Pensando naquilo que mais lhe interessava, criou em 2012 a Suja Juice, que comercializa sucos orgânicos feitos por pressurização. Três anos depois, o empreendimento já tinha sido avaliado em 300 milhões de dólares, diante de acordos feitos com gigantes como Coca-Cola e o banco Goldman Sachs.

Interesses

A história de Annie pode mostrar que, por meio de uma experiência pessoal, é possível ver uma oportunidade de negócio. Diagnosticada com doença celíaca – que gera intolerância ao glúten – desde pequena, a ex-estudante de Direito acumulava anos de experiência em pesquisa sobre como obter a maior quantidade de nutrientes dos sucos. 

Esses processos incluem, por exemplo, amassar as frutas em uma máquina que gera menos aquecimento, o que mantém intacta a maioria dos nutrientes desses alimentos - o chamado processamento por alta pressão (HPP, em inglês). O resto da fórmula da Suja Juice – “Suja” significa “vida longa e bonita”, segundo a própria empresa – inclui a preferência por produtos orgânicos e não modificados geneticamente.

Annie e Eric Ethans, chef que alia saúde e sabor na hora de criar seus pratos, juntaram-se em San Diego (Califórnia) para fundar um negócio. No começo, era um serviço de entrega a domicílio de sucos, que reaproveitava garrafas de água de coco e que dependia de frutas e vegetais comprados em lojas – ou seja, com o preço que qualquer consumidor pagaria. Eles vendiam para colegas das aulas de yoga e Annie fazia as entregas com seu próprio carro.

Depois, juntaram-se ao negócio James Brennan, empreendedor e dono de restaurante, e Jeff Church, um empreendedor social. Com os quatro sócios, o negócio começou a escalar e virou a Suja conhecida hoje, com a missão de entregar o melhor suco orgânico e sem ingredientes geneticamente modificados para o máximo de consumidores possíveis.

Embarcando na onda de uma alimentação mais saudável e ambientalmente consciente, os sucos estão em mais de dez mil pontos de venda nos Estados Unidos. Alguns dos sabores comercializados são beterraba, manga, cenoura e pepino – todos colocados em uma embalagem estilosa e com nomes como “Carrot Crush” (“Paixonite por Cenoura”), e “Green Delight” (“Deleite Verde”). Ao todo, são três categorias de produto: “Suja Classic”, “Suja Elements” e “Suja Essencials”.

Investimento

Em agosto de 2015, a Coca-Cola e uma divisão do banco Goldman Sachs investiram 150 milhões de dólares na companhia e compraram quase 50% de participação na empresa (o máximo possível sem que assumissem o controle majoritário do negócio). Isso motivou a avaliação da Suja em 300 milhões de dólares, informa a Bloomberg. Esse investimento será usado para expandir a distribuição do produto, para construir um novo centro de produção e para comprar matéria-prima a um custo menor, acessando os contatos da Coca-Cola.

Porém, a associação com a marca de refrigerantes não agradou a todos. Entre as perguntas mais frequentes no site da Suja, várias são sobre essa parceria. “Aceitar um investimento minoritário da Coca-Cola nos permite alavancar nossa rede de distribuição e expandir nossos produtos ao nível da demanda, sem mudar nada em nossos sucos, que permanecerão orgânicos, sem produtos geneticamente modificados e processados por alta pressão. A única coisa que irá mudar é estarmos disponíveis em mais lugares – e foi exatamente por isso que começamos a Suja”, informa a empresa.

Além de serem vendidos em estabelecimentos, os sucos também podem ser enviados diariamente à porta do cliente, por meio de dois modelos de assinatura.

A decisão de investir em seus reais interesses e deixar a carreira no Direito foi a chave para que a empreendedora vencesse a depressão. Em vez de se deixar levar pelo medo de decepcionar sua família, Annie optou por buscar algo que realmente a fascinava: a nutrição. De quebra, criou um negócio milionário.

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