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Última atualização 27/06/2017 - 17:21 FONTE

Meus filhos não querem assumir a empresa. O que fazer?

Mais cedo ou mais tarde, a futura geração se tornará sócia de um negócio - com todos os direitos e, principalmente, todos os deveres que esse papel traz.

O que fazer quando as gerações futuras não se interessam pelo negócio?
Escrito por Luiz Marcatti, especialista em empresas familiares

Em sociedades de controle familiar é muito comum encontrarmos, no extremo dos comportamentos, dois tipos de cenários antagônicos:

Primeiro, os fundadores/controladores passarem para seus familiares a visão de terem construído a empresa com a principal finalidade de gerar emprego para seus parentes. No outro lado, os mesmos empresários quererem afastar seus familiares da empresa, seja porque não conseguem separar essa mescla de relacionamentos, consciente ou inconscientemente, ou, então, porque querem que, principalmente seus filhos, busquem seus caminhos profissionais próprios.

Em quaisquer das situações, caso esses temas não sejam discutidos abertamente, com a racionalidade necessária para se conduzir bem a empresa e suas relações, além de orientados com a visão de futuro para o negócio e para a sociedade, os resultados podem não ser os mais positivos possíveis, tanto no ambiente familiar quanto no empresarial.

Um ponto importante para qualquer postura assumida, entre os extremos elencados, é o fato de que, trabalhando ou não, mais cedo ou mais tarde a futura geração se tornará sócia de um negócio, com todos os direitos e, principalmente, todos os deveres que esse papel traz.

Todos os filhos devem ter a oportunidade de escolher os caminhos profissionais que irão trilhar, mas precisam ter a consciência e o devido preparo para entender e saber como atuar no papel de sócios de uma empresa.

Herdar um patrimônio dos pais, seja ele em bens imóveis ou financeiros, dá a liberdade de cada um agir de acordo com suas convicções e seus planos pessoais, individualmente, buscando os ganhos e correndo os riscos que aceita para sua vida.

Receber como herança a participação em uma sociedade traz, como parte do pacote, uma responsabilidade social muito grande. Para começar, com seus sócios e, por decorrência, com todos os demais públicos envolvidos direta ou indiretamente com o negócio, os stakeholders.

Colaboradores, fornecedores, clientes, prestadores de serviços e a sociedade como um todo sempre, de alguma forma, são impactados positiva ou negativamente pelo desempenho da companhia.

Os ambientes das governanças, corporativa e da família empresária – com seus organismos de apoio, suas normas de existência e de funcionamento – são responsáveis pela formação dos futuros sócios, que devem prepará-los para, no momento adequado ou diante de uma necessidade premente, assumirem o protagonismo de cuidar e valorizar o patrimônio construído, permitindo a longevidade da empresa.

Até mesmo a decisão de uma possível venda da companhia, ou de parte dela, precisa ser tomada com a maturidade requerida para uma sociedade que tem visão de futuro para si e para todos os demais públicos impactados. Além do cuidado com as relações familiares que continuarão, com ou sem negócio em conjunto.

Luiz Marcatti é sócio da consultoria Mesa Corporate Governance.

Envie suas dúvidas sobre empresas familiares para pme-exame@abril.com.br.