Ensino de idiomas ganha novo fôlego para crescer

Fatores como a expansão da classe C e a Copa do Mundo de 2014 levam redes de franquias a expandir cobertura e investir em cursos rápidos

São Paulo – O ensino de idiomas é um dos filões mais antigos do mercado de franquias brasileiro. Com redes consolidadas operando no País há mais de 60 anos e dezenas de marcas disputando os potenciais alunos, o setor poderia estar caminhando para um cenário de desaceleração no crescimento. Mas tudo indica que na verdade as escolas de idiomas devem entrar em um novo ciclo de expansão, impulsionado pelo boom da classe C, pelo bom desempenho da economia brasileira e pelos grandes eventos esportivos que o Brasil sediará nos próximos anos.

Um dos indicativos do potencial de crescimento do setor é o aumento dos gastos do brasileiro com ensino. Segundo números do Provar (Programa de Administração do Varejo) da FIA (Fundação Instituto de Administração), o gasto com educação na classe C, cuja renda média é de 1,5 mil reais mensais, subiu de 8% a 10% do orçamento no ano passado para 15% a 17% neste ano.

“Boa parte destes gastos é com cursos de idiomas. Os cursos ficaram mais acessíveis e houve um aumento significativo na demanda”, destaca Nuno Fouto, diretor de estudos e pesquisas do Provar. “O sonho de todo pai é dar uma educação melhor para o filho. Cada vez mais essa faixa tem condições de fazer esse investimento”, acrescenta Ricardo Camargo, diretor executivo da ABF.

Dono de uma franquia da rede CNA no bairro do Jardim da Saúde, em São Paulo, o empresário Ronaldo Zabeu já sentiu um aumento no movimento. A unidade, que tem 470 alunos e fatura em média 65 mil reais mensais, deve ter um crescimento de 30% no número de alunos – e, conseqüentemente, em receita – até março de 2011, quando termina o ciclo de captação de alunos para o próximo semestre.

Segundo o empresário o aumento na demanda é acompanhado por um amadurecimento do consumidor da classe C. “Antes este público vinha com o dinheiro contado e se contentava com o que era oferecido. Hoje eles estão mais exigentes, negociam desconto e querem qualidade”, ele aponta.

Yes, nós temos Copa!

Mas não é só a expansão da classe C que está aquecendo o setor. O crescimento da economia brasileira como um todo vem reforçando as exigências do mercado de trabalho quanto ao domínio de idiomas. “As empresas brasileiras estão se tornando empresas globais e o inglês não é mais um diferencial, é uma exigência”, enfatiza Camargo.
 
Esta foi a motivação da pedagoga Vivian Andrade, que, com mais de 10 anos de experiência como educadora, decidiu comprar uma unidade da UNS Idiomas. A rede oferece cursos de curta duração, focados em conversação. “Meus alunos não têm tempo para cursos de cinco ou seis anos. Eles precisam aprender a falar inglês agora, pois estão perdendo oportunidades de emprego”, relata.

Além da motivação profissional, muitos alunos buscam os cursos rápidos para se preparar para ir estudar ou trabalhar fora do Brasil, uma vez que o aumento no poder de consumo tem proporcionado a mais brasileiros a possibilidade de buscar experiências no exterior.

A modalidade de cursos rápidos também deve ser impulsionada pela demanda por qualificação nas cidades sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. “Esses eventos vão gerar a necessidade da formação da mão de obra ligada a hotelaria, restaurantes e transporte, entre outras áreas”, afirma Claudia Bittencourt, especialista em consultoria para franquias.
 


De olho na tendência, as redes de idioma estão buscando novos franqueados nas cidades sede e preparando cursos customizados para o setor. A rede CNA, por exemplo, deve lançar um curso de seis meses focado no setor de turismo no segundo semestre de 2011. Já a Eurodata, tradicionalmente focada no ensino profissionalizante, decidiu aproveitar a oportunidade para transformar a marca Extreme – até então usada para promover cursos de idiomas dentro de unidades da rede – em uma franquia independente. A meta é ter 100 unidades com a nova bandeira até o final do próximo ano. A rede Influx também está focando sua expansão nas cidades sede da Copa, assim como a Number One, que pretende abrir 214 escolas de idiomas nos estados que receberão jogos.

Negócio próprio ou franquia?

O potencial do mercado de idiomas não está restrito às redes de franquias. Conforme destaca um estudo do Instituto Imprendere, é possível abrir um negócio próprio com baixo investimento, até mesmo em home office. “Basta  ter  um telefone, um staff de bons professores e bons contatos dentro das organizações”, destaca um relatório, que coloca o ramo como um dos 10 mais promissores até 2016.

“O  empreendedor  pode  começar  focando  no  mercado corporativo,  prestando  serviços  dentro  das  companhias,  atendendo  a  necessidades  pontuais  dos funcionários  ou  das  áreas  de  treinamento  das  organizações”, recomenda o instituto.

Mas quem não tem experiência no setor pode optar pelo modelo pronto de franquias, que traz vantagens como marca reconhecida e apoio à gestão por parte do franqueador. Se esse for o caminho escolhido, são necessários alguns cuidados.

O primeiro é analisar e comparar criteriosamente as vantagens oferecidas por cada rede (confira aqui 17 opções de franquias de idiomas dispníveis no mercado), observando critérios como investimento exigido, prazo de retorno e o suporte oferecido. Não basta apenas consultar os prospectos dos próprios franqueadores – o ideal é falar com outros franqueados e checar se as condições apresentadas condizem com a realidade. Embora a maioria das redes prometa margem de lucro de mais de 20%, por exemplo, os especialistas no mercado afirmam que em geral o porcentual fica entre 5% e 15%.

Avaliar a metodologia e os matérias didáticos também é importante – se o empreendedor não tiver experiência com ensino, vale procurar ajuda especializada. “Você tem que acreditar que aquilo que você vende realmente funciona”, destaca Vivian.

A escolha do local da unidade também é fundamental. “O que faz o negócio dar certo ou não é o ponto”, diz Zabeu, que já atua há 18 anos no mercado de ensino de idiomas. Observar a concorrência e a mapear as escolas públicas ou privadas nas proximidades também é essencial, já que as parcerias com instituições de ensino são fundamentais para atrair alunos.