Empreendedores criam Uber de goleiros para partidas amadoras

Decidir quem vai ser o goleiro da vez sempre é uma disputa nas partidas de futebol entre amigos. Empreendedores criam um negócio que resolve esse debate. Veja:

São Paulo – Quando amigos e amigas se reúnem para jogar futebol, quase sempre há um problema: quem vai ser o goleiro da vez? Essa é uma posição que os jogadores dificilmente querem assumir. Porém, existem pessoas gostam mesmo é de defender o gol – mas não fazem parte do círculo de amizades que precisaria de um jogador assim. 

Se há demanda e há oferta de goleiros, por que não mediar esse encontro? Foi o que fizeram os empreendedores Samuel Toaldo e Eugen Braun. Eles criaram o Goleiro de Aluguel, uma espécie de Uber para achar goleiros amadores para partidas entre amigos.

“Chegamos aos 30 anos de idade e, como quase todo menino brasileiro, nosso sonho era ser jogador de futebol. A vida foi seguindo e tivemos de abandonar esse sonho. Porém, hoje estamos voltando ao mundo da bola, e nossos goleiros também podem voltar”, explica Toaldo.

O empreendedor conta que está investindo em um mercado de potencial, usando estatísticas da FIFA: são 1 milhão de jogos em quadras de aluguel por mês no Brasil, e 70% deles não possuem um goleiro fixo.

História

Tanto Toaldo quanto Braun são, eles próprios, goleiros. “Eu era convidado para jogar cinco vezes toda semana onde eu moro, em Curitiba. Falei que ia começar a cobrar um valor de 30 reais por jogo, já que não poderia ir a todos de qualquer jeito. Um dos amigos que ouviu isso contou para um conhecido, que ficou interessado e me chamou para jogar com ele. Com os 30 reais, cobria meu transporte e comprava material esportivo para crianças carentes”, explica Toaldo.

Apenas em janeiro de 2015, o empreendedor participou de 13 jogos. Apareceram mais convites do que Toaldo poderia dar conta; ele resolveu, então, transformar sua ideia em um negócio.

Uma página no Facebook, chamada “Goleiro de Aluguel”, foi criada no começo de 2015. Toaldo chamou outros goleiros para participar, incluindo seu futuro sócio, Eugen Braun.

Os dois tinham de conciliar o negócio com outras atividades – Toaldo desenvolvia sites e Braun trabalhava em melhoria de processos industriais. “A gente tocava o negócio literalmente de madrugada. Fazíamos uma reunião pelo Skype no fim da noite e ficávamos três ou quatro horas gerindo o Goleiro de Aluguel”, conta Braun.

Conforme o negócio foi crescendo, os empreendedores perceberam seu potencial e lançaram o site do Goleiro de Aluguel em junho do mesmo ano (além da página no Facebook e do canal no YouTube). Hoje, são mais de 3 mil goleiros cadastrados e 2,7 mil partidas feitas, em quase um ano e meio de negócio. Porém, ainda não há goleiras inscritas na plataforma.

“Temos mais goleiros do que partidas porque decidimos primeiro fazer um trabalho de captação de goleiros, para só depois captar clientes. Se fizéssemos o contrário, o usuário abriria o site e não acharia nenhum goleiro na sua região. Ele logo desistiria do Goleiro de Aluguel, achando que o serviço não funciona”, explica Toaldo. A taxa de cliente fiéis, que contratam um goleiro ao menos uma vez por semana, é de 70%.

Em dezembro de 2015, o Goleiro de Aluguel começou a procurar um investidor. O aporte foi fechado no mês passado, com três investidores de Curitiba. “Com isso, eles ficaram com uma fatia da empresa e nós pudemos sair dos nossos empregos fixos, tendo dedicação total para esse novo empreendimento.”

Como funciona?

Atualmente, o pedido por goleiros é feito no site do Goleiro de Aluguel. O usuário entra, cadastra seu jogo com data, local, tipo de campo e quantos goleiros serão necessários. A empresa verifica quais os goleiros disponíveis perto da região e, quando um deles concorda em comparecer ao jogo, o contato é passado ao usuário.

O pagamento é feito diretamente ao goleiro e este repassa uma parte ao Goleiro de Aluguel. Depois do jogo, o cliente pode avaliar a atuação do jogador contratado por meio de um formulário enviado ao seu e-mail.

O preço cobrado por partida é de 30 reais. Desse valor, 18 reais ficam com o goleiro e os outros 12 reais vão para a Goleiro de Aluguel.

“É uma renda extra para as pessoas, jogando perto de onde moram ou no raio de distância que elas quiserem oferecer seus serviços. Todo mundo trabalha de dia e é goleiro à noite ou nos fins de semana. O futebol é um hobby, mas também é possível receber algo por ele e, de quebra, ajudar pessoas no Brasil e na África.”

Isso porque os 12 reais que ficam com o Goleiro de Aluguel não são usados apenas para a manutenção do negócio, mas também para projetos sociais. O negócio faz doações regulares para uma Escola de Goleiros do Mali, no continente africano (veja a foto acima), alugando o espaço da escola e comprando materiais esportivos. O negócio também doa, eventualmente, materiais para crianças carentes brasileiras.

Além do dinheiro arrecadado com os jogos, outras formas de monetização do Goleiro de Aluguel são o patrocínio nos uniformes dos goleiros e o e-commerce do negócio, que vende materiais esportivos e acessórios temáticos.

Mudanças

O grande plano de 2016 é usar o investimento concretizado no mês passado para desenvolver o aplicativo do Goleiro de Aluguel. O objetivo é automatizar o processo do negócio: a ideia é que o próprio usuário preencha os dados do jogo, verifique os goleiros disponíveis na região, entre em contato e faça o pagamento por meio da plataforma.

Depois, poderá avaliar na própria ferramenta o goleiro, em quesitos como pontualidade, personalidade, técnica e se estava de uniforme ou não. Os melhores goleiros serão premiados e aparecerão em destaque nos canais do Goleiro de Aluguel. Ou seja, é mais ou menos como funciona hoje o aplicativo de transporte individual Uber.

O lançamento do app do Goleiro de Aluguel está previsto para o próximo mês. Essa automatização tecnológica é a aposta do empreendimento para aumentar o número de pedidos (e o faturamento) neste ano, além de começar a investir em divulgação.

A ideia é chegar a mil jogos por mês até o fim do ano (hoje, são 400); ter 6 mil goleiros cadastrados (dobrando o número atual); e faturar 500 mil reais (o faturamento em 2015 foi de 50 mil reais, sendo que o site só passou a operar no segundo semestre do ano).

Assim que o aplicativo estiver estabelecido em terras brasileiras, a ideia é também lançá-lo em outros países da América Latina – um plano que fica só para 2017.