Como saber se um negócio é uma franquia ou uma pirâmide?

Leitora conta que foi convidada para uma franquia, mas está em dúvida se o negócio é na verdade uma pirâmide financeira. Veja como saber a diferença:

Dúvida da leitora: Fui convidada por uma marca para ter meu próprio negócio, mas fiquei em dúvida se era franquia ou pirâmide. Como me precaver?

É uma dúvida difícil de responder, especialmente nos últimos tempos em que alguns negócios montados como pirâmides financeiras ou mesmo como marketing multinível estão se utilizando do modelo franquias como disfarce para expandirem seus negócios.

Esse disfarce de franquias, ou mesmo master franquias, foi utilizado por algumas operações famosas. Inicialmente, houve um rápido e lucrativo crescimento e, logo depois, um enorme rombo, como a Nipomed, Fazendas Reunidas Boi Gordo, Avestruz Master, TelexFree e BBom.

Primeiro vamos qualificar pirâmides financeiras: o esquema compreende o recrutamento progressivo de muitas pessoas que deverão realizar investimentos em múltiplos pacotes com produtos e/ou negócios.

Em dado momento o negócio se torna insustentável, pois é impossível garantir novos recrutados com a mesma motivação para realizarem os investimentos sem parar. A pirâmide começa a ruir pela base e fica de pé somente o seu cume, ou seja, o chefe iniciante.

Vou passar algumas dicas que no seu conjunto podem ajudar a identificar se é uma pirâmide, ou melhor ainda, se poderá virar uma pirâmide disfarçada de franquia. Mas há uma dica inicial, que é comum a todas as pirâmides: a declaração do proprietário ou mesmo vendedor do “negócio”, que categoricamente afirma: “Não é pirâmide!”.

O perfil do dono

Veja agora algumas outras características comuns entre os construtores de pirâmides que são facilmente percebidas. Em geral, eles se apresentam como:

1 – Empreendedores, milionários, bilionários bem sucedidos e dispostos a lhe passar todos os segredos do seu sucesso;

2 – Sempre alinhados, fazem apresentações dentro de seus carrões, mansões e até aviões, onde sutilmente são mostrados relógios, celebridades e acompanhantes, como símbolos de suas conquistas;

3 – Inicialmente encantam a mídia, viram capas de revistas, palestrantes e, sempre muito envolventes, conseguem estimular seguidores;

4 – Todo esse ambiente é utilizado de forma intimista e direta para você, mostrando que se ele conseguiu você também conseguirá, desde que siga cada passo que ele lhe demonstrará, sempre em etapas ou capítulos que estimulam seus sonhos e como conquistá-los.

É imbatível, sensacional!

O perfil do negócio

Mas vamos aos negócios, as franquias, e alguns sinais de como identificá-las como atuais ou potenciais pirâmides:

1 – Negócios sempre pequenos, ao seu alcance – vem daí o meu temor com as microfranquias e agora as nanofranquias!

2 – Sempre lhe serão oferecidos ou você será convidado, mesmo que nunca tenha procurado – ao contrário de franquias onde a lógica é você procurar e buscar um negócio com o qual se identifique fortemente;

3 – Franqueador ou representantes ansiosos por receberem a Taxa de Franquia e, para isso, forçam sua decisão, mostrando quantas foram vendidas e que esta será sua única oportunidade;

4 – Franqueador mostra pouco interesse em receber os royalties, pois terá que dar suporte em contrapartida e foca sua ação em vender mais e mais franquias, recebendo a Taxa de Franquia exponencialmente;

5 – O momento crucial: montam a Master Franquia dividindo a Taxa de Franquia obtida com seus Master Franqueados que obtém o direito de revender franquias, assim espalhando e ampliando a pirâmide;

E para finalizar, a sua dúvida é uma certeza: é pirâmide! Como se precaver? Simples, fuja dela!

Marcus Rizzo é sócio-fundador da consultoria Rizzo Franchise.

Envie suas dúvidas sobre franquias para pme-exame@abril.com.br.

 

Comentários

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  1. cintya corgosinho

    Rizzo, me desculpe, mas discordo do que você disse…
    Existem grandes diferenças entre pirâmides e marketing de rede, mas você não as relatou no seu artigo. Seguem algumas realmente úteis:
    Para saber que não é pirâmide:
    1) Ponto principal: PRODUTO. A empresa DEVE ter um produto mto bom ou exclusivo, que as pessoas comprariam, seriam clientes, mesmo que não sejam construtoras… ou seja, só consome… só compra, sem entrar na rede. Ex: A Telexfree, por ex, vendia “voz por IP”, ou seja, um tipo de “skype”. Por que alguém pagaria para ter um negócio em que há um produto no mercado, gratuito, difundido e eficaz?

    2) A empresa deve estimular esta venda de produtos, sem o “recrutamento”. Empresas sérias estimulam esta venda direta, porque são empresas de vendas diretas, de várias formas. Promoções, aumento de bônus para quem tem mais clientes (apenas consumidores), etc.

    3) Filiação a ABEVD – Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas e a órgãos semelhantes nos países em que atua. Uma consulta simples no site http://www.abevd.org.br/empresas-associadas/ pode resolver.

    4) Possibilidade de quem entrou no negócio por ultimo ganhar mais do que quem entrou primeiro. Nas pirâmides, a lógica é sempre quem entra primeiro ganhar mais. Em empresas sérias de multinível, há algoritmos e regras modernas que atuam com meritocracia. Quem trabalha mais, ganha mais, independente de quando entrou no negócio.

    Espero ter colaborado.
    Atenciosamente,
    Cintya.