Como este negócio impede acidentes em obras (e fatura milhões)

A startup Suporte Sondagens nasceu em 2011 com uma proposta inusitada: ganhar dinheiro prevendo os problemas que uma obra terá no futuro

São Paulo – Em épocas de chuvas constantes, é comum ouvirmos notícias de fatalidades causadas por deslizamentos. Os anos passam e uma pergunta permanece: por que as empresas de infraestrutura não fazem um bom estudo do solo antes de tocarem seus projetos?

Muitas delas não possuem a tecnologia necessária para fazer essa análise aprofundada do terreno. É por isso que dois empreendedores se juntaram para abrir uma empresa que resolvesse tal problema, com geólogos, engenheiros e técnicos especializados.

Os engenheiros civis Luiz Siviero e Maurício Malanconi fundaram a Suporte Sondagens em 2011: uma startup que atende concessionárias, construtoras, órgãos públicos e projetistas por meio de sondagem do solo e posterior controle tecnológico das obras de infraestrutura. Com o serviço, é possível prever se o terreno é adequado para o que será construído, evitando acidentes e despesas imprevistas.

Durante cinco anos, os sócios tocaram o negócio em paralelo com outros empregos. “Eu ia para a Sondagens depois do expediente. Além da questão financeira, não me desvinculei do meu emprego na hora porque havia firmado um acordo de capacitar um projetista para assumir minha posição. Por conta desse compromisso cumprido, a empresa onde eu trabalhava é nossa cliente”, explica Malanconi.

Hoje, o negócio já atende grandes empresas de infraestrutura, como Arteris, CCR e EcoRodovias. Em toda a história do negócio, mais de 15 mil sondagens foram realizadas.

Começo e expansão

O engenheiro civil Maurício Malanconi estava há mais de dez anos no ramo estruturas rodoviárias quando teve a ideia de negócio que daria origem à Suporte Sondagens.

“Trabalhando em um projeto, vimos a oportunidade de abrir uma empresa que fizesse a sondagem do solo: ou seja, que o perfurasse em diversos pontos e fizesse coletas para determinar sua composição e resistência. É algo essencial para qualquer planejamento de infraestrutura”, explica o empreendedor.

Mas o grande diferencial da startup não é essa análise de terreno, e sim seu georreferenciamento. Ou seja: as coordenadas de cada furo realizado são inseridas em uma espécie de “Google Maps subterrâneo”, e depois disponibilizadas para consulta permanente dos clientes.

Ainda que Malanconi tenha mais experiência na infraestrutura rodoviária, o negócio atende desde projetos aeroportuários até residenciais.

Uma crescente preocupação do mercado em relações aos serviços prestados nesse setor foi o sinal que a empresa esperava para se expandir, em 2014. “Ou desistíamos do negócio ou investíamos em tecnologia para gerar mais segurança. E só assim ganhamos mercado”, explica o empreendedor.

“Vimos como algumas equipes não obedeciam a normas técnicas e não executam o serviço da forma que deveria ocorrer: por exemplo, não identificam a existência de solo pouco resistente em uma parte do terreno. Isso gera riscos durante a obra e ela pode receber um aditivo – um acréscimo de serviços, que gerará maiores gastos no futuro.”

Por isso, a Suporte Sondagens ofereceu um segundo diferencial: desenvolveu um aplicativo para rastrear suas equipes, assim como faz com os furos. De tempos em tempos, a ferramenta atualiza as coordenadas de cada funcionário, incluindo registros fotográficos. O cliente pode consultar tais informações, dando mais transparência e segurança ao serviço contratado.

O cliente que contrata os serviços da Suporte Sondagens recebe um login e uma senha para acessar a plataforma, por meio de um desktop. Como já comentado, alguns alertas são enviados por e-mail, informando mais sobre o serviço contratado e seu status.

Após a conclusão dos trabalhos, uma pesquisa de satisfação é enviada. O cliente tem acesso vitalício aos dados que foram gerados durante o contrato, pois eles ficam armazenados na nuvem.

O negócio atende sete estados atualmente: Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Toda a gestão é centralizada no último estado, por ser um negócio 100% digitalizado, mas há planos de inaugurar filiais regionais da Suporte Sondagens. No ano passado, a Suporte Sondagens faturou 3,6 milhões de reais.

Futuro

A Suporte Sondagens pretende aproveitar as informações coletadas para criar um banco de dados do solo brasileiro, o que pode gerar novas funcionalidades.

“Estamos em uma época de chuvas bem fortes em São Paulo e temos sido muito acionados para fazer sondagens onde já houve uma ruptura no solo. Muitas vezes, já houve dano material e até mesmo de vidas”, conta Malanconi.

“Com nosso futuro banco e futuros algoritmos, poderemos cruzar as previsões de chuva com áreas já susceptíveis ao deslizamento do solo. Nossos clientes receberão alertas sobre como está o solo a cada novo período de tempo.”

O principal entrave para o crescimento da startup é o número de funcionários. “Estamos em um plano de expansão para o segundo semestre, com ampliação de nossas equipes por conta da grande demanda. Temos oito equipes e queremos triplicar o número”. Com isso, a expectativa é também triplicar o faturamento visto em 2016.