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Bolsas de capim-dourado vendidas pela empresa e produzidas na comunidade de Mumbuca, no Tocantins
São Paulo - A ideia de ser um intermediador entre o artesanato produzido em comunidades brasileiras e grandes empresas como Santander, Unilever, Natura e Correios foi do empreendedor Henrique Bussacos.
Depois de uma viagem a uma comunidade ribeirinha da Amazônia, ele percebeu que o maior entrave para esses grupos era a comercialização. "As comunidades têm grandes riquezas, que precisam ser 'traduzidas' para o mercado e o artesanato é uma delas", conta Henrique.
Com a experiência que teve em bancos, companhias e ONGs e o boom do e-commerce, ele resolveu levar os produtos da comunidade para o mundo e dar vida à Tekoha, em 2006.
O modelo em que a empresa funciona é chamado de negócios sociais. "São iniciativas rentáveis que contribuem para reduzir a pobreza. Você não precisa escolher entre ganhar dinheiro e mudar o mundo", explica Maure Pessanha, diretora do Centro de Formações em Negócios Sociais da Artemísia, que funciona como uma espécie de incubadora para esse tipo de empresa.
Para Henrique, a companhia de brindes "está realmente a serviço das pessoas". "Aos poucos percebemos que esse não era um negócio tradicional e que o objetivo era dar visibilidade para os produtos feitos pelas comunidades, lucro não era nosso objetivo final", acrescenta Andressa Trivelli, uma das quatro sócias da Tekoha.
Foco na preservação
Além da intermediação para a venda dos produtos, a empresa faz uma aplicação de conceitos mínimos de gestão e marketing, por exemplo, agregando um conceito para potencializar a venda. "Outra coisa é ver no mercado de brindes, grande parte vindo da Ásia, o que é moda e qual comunidade poderia fazer algo parecido, adaptar a moda ao artesanato", diz Andressa.
Hoje, 140 grupos fornecem 2000 produtos que são vendidos a grandes empresas como brindes para eventos ou presentes. A Cerâmica Capivara é uma delas. Com sede no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, a comunidade faz peças que exploram a pintura rupestre do parque e que podem ser usadas na alimentação e não só para decoração. São 40 pessoas trabalhando na produção de 3 mil peças por mês.
Parte do crescimento da comunidade foi impulsionada pela visibilidade que o produto ganhou. "A gente trabalha com as pessoas do entorno do parque e se elas têm serviço têm condições de preservar nossa região. A Tekoha fez o que era mais difícil para nós pelo lugar que moramos: colocar o produto no mercado", conta Girleide Maria de Oliveira, administradora da oficina.
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