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São Paulo - Wanderley de Abreu Júnior, 33 anos, tinha seis anos quando ganhou o primeiro computador. Depois do jogo Atari, era seu brinquedo preferido. Em meio a códigos e teclas, Júnior garante que se alfabetizou na frente da máquina. “Aprendi a escrever e ler no computador. Para colocar os joguinhos, tinha que dar alguns comandos e eu comecei a entender o que funcionava. Foi fundamental para minha alfabetização”, diz.
Em uma época que poucos tinham acesso a essa tecnologia, ele saiu na frente e até os amigos se assustavam com sua habilidade tecnológica. “Eu estava sempre com garotos mais velhos e a possibilidade de me baterem era muito grande. Mas, eles tinham medo porque eu tinha computador, achavam que eu podia explodir um míssil na cabeça deles”, brinca.
O interesse pela tecnologia não parou. Aos 12, pediu um modem de presente de aniversário. Aos 16, já conseguia, por diversão, acessar sistemas como o do Detran e se comunicar com outras redes fora do país.
Júnior, que prefere ser chamado de Storm, garante que era tudo por diversão. “A internet era muito amadora. Não era o que é hoje. Era uma rede muito acadêmica, não tinha muitos negócios para conseguir dinheiro”, explica. A brincadeira, no entanto, ficou séria quando Storm descobriu uma falha em computadores da NASA.
“A NASA fez uma grande compra de computadores para tentar salvar a Silicon Graphics, que estava à beira da falência. Eu descobri uma falha que dava para entrar nesses computadores. O firewall era caríssimo e só protegia computadores muito importantes. A gente ficava fuxicando a internet para ver se descobria algum bug desse sistema.”
Da NASA, Storm conseguiu acesso ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, mas exagerou na diversão e acabou descoberto. “Eu processei mais pacote de dados em um dia do que a IBM inteira. Eles começaram a desconfiar e me pegaram”, conta. Esta descoberta pode ter sido a chave para o desenvolvimento do empreendedorismo de Storm.
Os responsáveis pelos sistemas ofereceram um curso de segurança e um estágio se ele contasse como havia chegado às falhas. “Fui pra lá, eles consertaram o problema e ganhei um diploma, mas antes disso, tomei muito esporro do meu pai e deles. Mas, foi bom porque no final das contas eu comecei a usar as coisas por um hábito melhor”, diz.
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