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São Paulo – No início do século 20, a Bahia ganhou fama mundial por seu “ouro branco”. O estado era o maior produtor de cacau do mundo e a produção no Nordeste brasileiro era expressiva até os anos 1980, quando a vassoura-de-bruxa, uma praga nas plantações de cacau, levou muitos produtores à falência e reduziu a produção pela metade.
Durante este período, as terras foram subutilizadas e muitas famílias abandoram a região cacaueira em busca de outras oportunidades. Um empreendedor, no entanto, insistiu no potencial do solo baiano aclamado nas obras de Jorge Amado. Agora, o “ouro branco” baiano volta a brilhar.
Em Itacaré, na Bahia, Diego Badaró comanda, junto com o chocolateiro americano Frederick Schilling, a Amma Chocolates. “A empresa foi fundada em 2007, mas desde 2002 já comecei a recuperar e resgatar as terras da minha família com o cultivo de cacau”, diz Badaró, quinta geração de produtores de cacau da região.
Para voltar às raízes, Badaró precisou investir na produção de um chocolate diferenciado e orgânico, chamado de premium ou gourmet. O primeiro passo foi recuperar o solo e as árvores antigas. Os chocolates da empresa são feitos apenas com os frutos no ponto certo - nem muito maduros nem machucados - e a secagem deve ser ao ar livre, o que garante a classificação como produto fino.
O chocolate premium - aquele em que o cacau prevalece sobre a gordura e outros compostos artificais - ainda representa uma parcela ínfima do mercado de cacau brasileiro, mas é bastante explorado fora do país. Segundo Badaró, um dos principais farores para o crescimento da empresa foi a parceria com o chocolateiro francês François Pralus. “Participei do Salon du Chocolat em Paris e conheci Pralus, que passou a usar as amêndoas de cacau de nossas fazendas”, diz.
Hoje, os produtos da Amma, a maioria com altas concentrações de cacau, são exportados para seis países e disponíveis em nove estados brasileiros. “Há espaço para crescer principalmente no mercado nacional, pois o Brasil é o quarto maior mercado de chocolates do mundo e o setor de chocolate premium está apenas começando. E também no mercado oriental, como Coréia, China, Kwait e Índia, onde nossos produtos já estão sendo vendidos”, conta.
Hoje, a empresa produz 60 toneladas de chocolate ao ano. “A previsão para 2012 é uma produção de 200 toneladas”, explica. Para ele, as vendas não são prejudicadas pela sazonalidade comum aos chocolates. "As vendas ocorrem durante todo o ano por se tratar de um produto gourmet", diz.
Badaró, no entanto, se orgulha mais da iniciativa sustentável do que dos lucros da empresa. “O projeto é inovador e tem sido um exemplo de como podemos preservar a biodiversidade da Mata Atlântica e gerar empregos com qualidade de vida através do cultivo de um cacau de qualidade que é mais valorizado no mercado”, diz.
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