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São Paulo - Em uma rua tranquila da Vila Nova Conceição, um dos bairros de maior poder aquisitivo de São Paulo, fica a Chocolat des Arts. A decoração sóbria e sofisticada divide espaço com um cacaueiro, trazido do Vale do Ribeira, sul do estado de São Paulo. De avental, no balcão, a empresária Cíntia Sanches Lima atende pessoalmente aos clientes - poucos, mas regulares - em uma manhã de quarta-feira.
Os delicados bombons vendidos na loja são fruto de uma transformação na vida de Cíntia. Executiva de marketing de uma grande empresa, ela deixou o trabalho para se encontrar em um período sabático. Como a escritora americana Elizabeth Gilbert, do best-seller que virou filme Comer, Rezar, Amar, Cíntia deixou o filho de sete anos no Brasil e foi aprender meditação no Nepal. “O que me fez ir para o Oriente é que eu estava ligada numa tomada de 220 volts. Era aquela executiva que trabalhava até 14 horas por dia. Eu queria baixar meu padrão mental”, conta.
Em 2007, depois de ver uma reportagem na televisão sobre meditação, Cíntia viajou para um monastério no Nepal que aceita ocidentais. De quebra, aproveitou para conhecer Darjeeling, cidade produtora de chás. “Vi no mapa que iria ficar perto de Darjeeling, que é a Champanhe dos chás. Aproveitaria para realizar meu sonho de visitar uma plantação”, diz.
Inspiração cinematográfica
Na volta ao Brasil, mais “calma e doce”, Cíntia ainda não tinha idéia do que faria da vida até assistir ao filme Chocolate, com Juliette Binoche e Johnny Depp. “Até rever esse filme eu não tinha pensado em abrir um negócio. Como eu tinha contato com alguns headhunters, cogitava até voltar ao mercado na mesma área”, afirma.
Com base acadêmica no marketing, Cíntia começou a pesquisar o mercado e embarcou novamente em uma viagem, desta vez para Nova York. “Havia apenas cinco chocolaterias bacanas em São Paulo. Decidi pesquisar outras. Fui para Nova York e para o Canadá, fiz dois cursos de chocolatier e visitei 16 chocolaterias”, diz.
A empresária explica que, para poder angariar informações e montar meu plano de negócios, escolheu caminhos conhecidos. “Nova York tem a maior concentração de chocolaterias internacionais, os melhores chocolatiers franceses estão lá. Fui, aprendi muita coisa, trouxe um monte de material e comecei a montar meu plano de negócios”, afirma.
Depois de estudar o mercado nacional, Cíntia decidiu abrir uma loja de bairro, perto de sua casa, destinada para o público A. “Vi que o consumo de chocolate estava crescendo, a nossa economia em ascensão favorece o consumo de produtos gourmet”, diz.
Mão na massa
Com um investimento de 500 mil reais, no final de 2008, surgiu a Chocolat des Arts. Naquela época, a produção mensal era de 5 mil bombons. Hoje, triplicou e passou para a casa dos 15 mil. “É uma loja de bairro, que com o conceito diferenciado acabou atraindo público de outros bairros e cidades do país. Era para ser uma chocolateria como a da Juliette Binoche, mas pelo conceito acabou expandindo”, conta.
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