Agora é a hora de buscar seu investidor-anjo? Descubra

Será que o momento é bom para conseguir um investidor? A Anjos do Brasil divulgou os resultados de sua pesquisa anual sobre tais aportes. Confira:

São Paulo – Pense na seguinte situação: seu negócio não é amador a ponto de viver dos empréstimos feitos por amigos e familiares. Ao mesmo tempo, ele ainda não está maduro o suficiente para negociar com fundos de investimento de risco.

Se essa é a sua situação, você provavelmente já analisou um modelo de aporte conhecido como investimento-anjo.

Ele é uma das muitas maneiras de conseguir dinheiro para financiar o crescimento da sua empresa, com um diferencial que pode fazer a diferença entre nadar ou morrer na praia: o “anjo” não se compromete a ser apenas um sócio financeiro, mas também um conselheiro ou mentor empresarial.

Em geral, esses investidores pessoa física são ex-executivos que reservam uma parte de suas economias para incentivar e apoiar o empreendedorismo.

Mas, afinal, quão factível é esse tipo de investimento em época de turbulência econômica e política?

A Anjos do Brasil, uma das principais entidades brasileiras de investimento-anjo, respondeu tal pergunta em seu 5º Congresso de Investimento Anjo, ao divulgar sua pesquisa anual sobre o setor.

No meio da crise, mais investimento aparece

Segundo a Anjos do Brasil, o volume total de investimentos-anjo visto no ano passado no país foi o equivalente a 851 milhões de reais. Isso significa um crescimento de 9% sobre o volume averiguado na pesquisa anterior (784 milhões de reais), feita com dados de 2015.

De acordo com a Anjos do Brasil, quatro fatores justificam o crescimento do valor aportado pelos investidores-anjo brasileiros.

Em primeiro lugar, o investimento em startups é mais baseado em inovações do que em conjuntura econômica – uma boa ideia pode superar crises, o que pode ser um ponto de atração para quem já gosta de investir com riscos.

Ao mesmo tempo, o investimento-anjo é de médio e longo prazo: ou seja, no momento de desinvestimento e recebimento do valor aportado, é muito provável que a recessão econômica já tenha passado. Assim como ações, é um investimento que se faz em épocas de baixa (como agora).

O terceiro motivo para o maior valor de aportes é a disseminação do investimento-anjo como forma de rendimento: a popularização do formato aumentou o número de investidores-anjo ativos – que buscam com afinco oportunidades de negócio – e o montante investido por eles.

Por fim, os retornos negativos de investimentos mais tradicionais estimularam mais aplicações no investimento-anjo.

Mesmo assim, o crescimento no valor total aportado por investidores-anjo está desacelerado em relação aos anos anteriores: é a primeira vez da série histórica em que vemos um crescimento de apenas um dígito.

Entre os dados de 2013 a 2014, por exemplo, o crescimento havia sido de 11%. Já entre 2014 e 2015, o crescimento foi de 14%.

A entidade atribui tal desaceleração a outro dado da pesquisa: há menos investidores-anjo no país, ainda que o volume investido tenha sido maior.

Isso foi compensado pelos investidores ativos, que aumentaram o volume de investimento, mantendo o crescimento do valor total investido. O ticket médio de investimento foi de 120,3 mil reais, um crescimento de 11% em relação à pesquisa anterior (108 mil reais).

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Apenas os bons sobram

Ainda que o valor investido tenha aumentado, é a primeira vez na série histórica que a Anjos do Brasil registra uma queda no número de investidores-anjo.

O Brasil possui 7.070 pessoas físicas nessa modalidade de aportes, segundo a pesquisa divulgada nesta semana – uma redução de 3% sobre o número registrado no estudo anterior, de 7.260 investidores-anjo.

Segundo a Anjos do Brasil, a diminuição no número de investidores foi causada pela insegurança jurídica, o que desestimula quem quer entrar no segmento, e pela ainda alta taxa básica de juros. Quando a Selic está alta, muitos preferem deixar seu dinheiro em aplicações que sejam corrigidas por ela no lugar de tomar riscos.

A entidade também destaca que a maior redução se deu no grupo de “investidores-anjo passivos” – que só fazem investimentos conforme demandados, sem procurar ativamente novas startups. Diante de um cenário economicamente preocupante, essas pessoas físicas preferem segurar novos aportes.

O que fazer, então?

De acordo com Cassio Spina, fundador e presidente da Anjos do Brasil, é preciso promover políticas de estímulo para os investidores-anjo, como as vistas em países como Estados Unidos, França e Portugal. O Brasil representa 0,9% da média de investimentos somados nos EUA e na Europa, diz a entidade.

Em tais lugares, há políticas de incentivo fiscal, como a compensação de parte do investimento nos impostos devidos e a isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital.

Para Spina, tais condições gerariam um aumento na arrecadação tributária total do governo. “O capital aplicado em renda fixa gera impostos somente sobre o rendimento da aplicação. Investindo em startups, há impostos e contribuições sobre aquisição de máquinas e equipamentos, sobre contratações de serviço, sobre salários e sobre o próprio faturamento da empresa”, afirma.