Abrir uma franquia ficou 82% mais caro em três anos

O custo médio para a instalação passou de 114 mil reais em 2008 para 208 mil reais em 2011; se considerar aluguel e taxa de franquia, o valor pode até dobrar

São Paulo – Dizer que as franquias são um mercado em expansão no Brasil já se tornou um clichê. Em 2011, o crescimento ficou na casa dos 15%. Foram mais 17,6 mil novas unidades, com geração de 275.298 empregos diretos e um faturamento de 86 bilhões de reais. A Associação Brasileira de Franchising (ABF) projeta um aumento de 15% para este ano.

O que nem todo mundo sabe é que essa prosperidade não se reflete em preços mais acessíveis. Pelo contrário, os gastos para abrir uma franquia estão em vertiginosa aceleração. De acordo com dados da consultoria Rizzo Franchise, nos últimos quatro anos, esses gastos praticamente dobraram (confira o gráfico da Rizzo Franchise abaixo).

Segundo as informações, o custo médio de instalação de uma franquia aumentou 33% de 2010 para 2011. O consultor Marcus Rizzo explica que a média considera obras, equipamentos e insumos básicos, mas deixa de fora gastos como o aluguel do ponto, as luvas e a taxa de franquia. “Se levarmos em consideração todos esses fatores, o custo pode até dobrar, em alguns casos”, diz.

O levantamento mostra que o setor mais caro para se investir em franquias hoje é hotelaria e turismo, com uma média de gastos de quase 1,5 milhão de reais. Para quem quer gastar pouco, a dica é investir em negócios relacionados à área financeira, cujos gastos considerados pela pesquisa vão pouco além dos 50 mil reais.

gráfico

 


O empreendedor André Barcellos Maia, sente na pele as mudanças na economia e a evolução do preço. Dono de nove lojas do Rei do Mate no Rio de Janeiro, com previsão de abrir outras três ainda este ano, ele investiu entre 30 mil e 40 mil reais com obra, equipamentos e taxa de franquia do primeiro estabelecimento, aberto em 1998. Na última, inaugurada há 2 meses, o custo total foi de 230 mil reais – 500% a mais.

Influências
O consultor especializada em franquias Marcelo Cherto destaca que o aquecimento da economia e da demanda sem o aumento da oferta e da infraestrutura é o principal fator que influencia o aumento nos custos de instalação de uma franquia. Segundo ele, a subida dos preços foi influenciada pelos acréscimos nos valores dos aluguéis, luvas, condomínio e taxas de shoppings. “Aluguéis aumentaram 100% nos últimos 12 meses”, diz. O IGPM, índice sobre o qual são calculados os reajustes de preços de aluguel, teve um acúmulo de 5,17% no ano passado.

Segundo ele, a subida nos preços se deve, ainda, à conhecida lei da oferta e da procura. “Temos 100 shoppings em construção no país. Quando forem inaugurados, já serão suficientes para a procura que temos hoje. É diferente comparar com os Estados Unidos que tem mais de 60 mil shoppings. Aqui, não chega a 600″, ressalta.

Para driblar as dificuldades impostas pela elevação dos gastos, o empresário André Maia confessa que tem ajuda de contatos para conseguir novos pontos comerciais. “Tenho alguns corretores que oferecem oportunidades. Ao longo do tempo, fizemos um bom canal de relacionamento com o mercado”, explica Maia.

Gráfico

 


O professor do Núcleo de Varejo da ESPM, Denis Santini, destaca não apenas a elevação no valor dos pontos comerciais, mas também da mão de obra, de materiais de construção e das reformas. “Nos últimos 24 meses, houve um ganho expressivo, fora da curva”, diz.

Mais do que fatores físicos, Rizzo diz que é pequena a preocupação das franquias com o ganho de escala na instalação. “É preciso sempre baixar o investimento inicial. Para isso, vale melhorar o processo de construção, diminuindo o tempo, aumentando a produtividade e, consequentemente, reduzindo custos”, descreve.

Futuro
Santini acredita na estabilização do mercado a partir de uma tendência de migração para novos locais, algo que ocorreria naturalmente. “Quando não se consegue resultados em uma região, vai para outra. Talvez em 2013 já seja possível perceber essa mudança. O mercado vai se adequando”, ressalta.

Cherto não é tão otimista. “Tenho a impressão de que a economia vai continuar crescendo e, portanto, o apagão de mão de obra e de espaço comercial, vai continuar. No entanto, com a recessão mundial, o ritmo no aumento de custos, muito acelerado nos últimos 2 anos, deve diminuir”, conclui.