5 perguntas para saber se sua ideia de negócio pode ser acelerada

Será que seu negócio está preparado para se associar a uma aceleradora, incubadora ou mentoria? Mais ainda: ele realmente precisa disso?

Dúvida do leitor: Em que nível tem que estar uma startup para participar de uma aceleradora? Precisa ter somente a ideia, um protótipo funcional ou já uma empresa?

Aceleradoras, incubadoras, mentores e as diversas entidades e mecanismos para financiamento de startups são algumas das formas de um empreendedor receber algum tipo de ajuda para desenvolver a sua startup. Porém, é preciso fazer algumas perguntas antes de optar por alguma dessas iniciativas:

1. Será que eu preciso mesmo de um fomento?

A primeira questão a ser avaliada é a real necessidade de recorrer a uma aceleradora. Cada empreendedor deverá avaliar a sua real necessidade de ajuda e que mecanismo usar. Como dono da ideia, ele nem sempre supera a sua natural arrogância para reconhecer que precisa de ajuda.

2. Será que eu confio mesmo no outro lado da conversa?

A segunda fase é superar a desconfiança natural: será que vão roubar a minha ideia? Será que vão tirar proveito da minha falta de experiência e me roubar?

Qualquer que seja o mecanismo ou ferramenta de ajuda a ser escolhida, é necessário desenvolver uma relação de confiança entre quem fornece a ajuda e quem recebe a ajuda. Sem confiança mútua, não há a menor possibilidade de sucesso.

3. Será que não há outras opções de fomento?

Depois, a terceira fase será decidir que tipo de ajuda vai precisar. Cada um dos mecanismos mencionados acima tem características específicas que resolvem problemas específicos do empreendedor.

Não cabe nesse artigo uma discussão ou explicação sobre cada mecanismo. Quem tiver alguma dúvida, uma simples pesquisa na internet permitirá descobrir as principais características e diferenças entre cada um deles.

4. Será que meu produto combina com quem irá me ajudar?

Por último, encontrar quem poderá fornecer a ajuda desejada. Em geral, não se trata apenas de uma decisão do empreendedor: as aceleradoras e incubadoras têm processos seletivos com regras específicas para selecionar as startups do seu interesse. Isso vai exigir uma preparação específica para vender adequadamente o seu projeto.

5. Quero mesmo me associar a uma aceleradora. O que fazer?

Uma aceleradora, em geral, ajuda o desenvolvimento de novas empresas oferecendo investimento, conteúdos e acesso a rede de contatos. Em contrapartida, elas são remuneradas com um percentual da empresa acelerada, que varia de 5 a 20% e que posteriormente será vendido.

As aceleradoras aceitam startups em diferentes estágios de desenvolvimento. A escolha vai depender da capacidade percebida por elas de que a respectiva startup preencha os critérios de escolha da aceleradora.

Elas costumam escolher empresas que apresentem claramente alguma inovação e diferencial competitivo, além de serem escaláveis. Como em geral as empresas ficam dentro da aceleradora por períodos que vão de três meses a, no máximo, um ano, os empreendedores deverão demonstrar que estão propondo um negócio inovador e que eles dominam, conhecem e são capazes de conduzir o processo de desenvolvimento acelerado do empreendimento.

Muitos empreendedores, pela sua juventude e falta de experiência, acreditam mais no poder do marketing do que em demonstrar de forma objetiva o real domínio sobre o produto e o modelo de negócio.

Se puder deixar um conselho ao empreendedor que opte por procurar uma aceleradora como forma de ajuda de desenvolvimento do seu negócio, recomendaria que, na sua apresentação para a aceleradora, use menos adjetivos (como “produto inovador” ou “serviço diferenciado”) e se concentre mais em argumentar de forma objetiva os diferenciais competitivos do negócio proposto.

Assim, quem esteja lhe ouvindo pode concluir, por si só, que o produto é inovador, que o serviço é diferenciado e que se trata de um modelo de negócio em que você pensou grande, sendo capaz de começar pequeno e de crescer rápido – ou seja, um negócio de alto impacto. Boa sorte e até a próxima!

Cristian Welsh Miguens é professor do curso de negócios da Universidade Anhembi Morumbi.

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