Dólar R$ 3,32 0,51%
Euro R$ 3,76 0,11%
SELIC 10,25% ao ano
Ibovespa -0,82% 61.675 pts
Pontos 61.675
Variação -0,82%
Maior Alta 5,67% CSNA3
Maior Baixa -3,90% ESTC3
Última atualização 27/06/2017 - 17:21 FONTE

5 dicas para evitar problemas ao trabalhar com os filhos

Pais empresários que levam seus filhos para trabalhar na sua própria empresa muitas vezes o fazem sem bases em uma decisão estratégica para o negócio

Meu filho é meu funcionário. Como evitar problemas?
Escrito por Luiz Marcatti, especialista em empresas familiares

Pais empresários que levam seus filhos para trabalhar na sua própria empresa muitas vezes o fazem sem bases em uma decisão estratégica para o negócio, mas focando muito mais no que querem provocar nos filhos.

Geralmente a empresa cresceu, os pais precisam de gente de confiança e os filhos acabam sendo levados para trabalhar com a seguinte demanda: “Venha para a empresa me ajudar, tem muita coisa a ser feita e você precisa se entrosar no negócio que será seu no futuro”.

Outras vezes, como os filhos cresceram e têm uma boa condição de vida, os pais se preocupam em não os deixar com excesso de tempo livre, sem fazer nada, criando neles um sentimento de que a empresa poderá prover sempre esse estilo de vida, sem que algo precise ser feito para isso.

Mas, qualquer que seja o motivo gerador dessa situação, existem fatores que podem trazer uma série de problemas não previstos inicialmente, pela maneira como os pais se relacionam com os filhos no papel de funcionários.

Alguns pontos relevantes precisam ser observados e devidamente tratados, como forma de mitigar esses riscos. Vamos a eles:

1 – Definir uma área de atuação, papéis, responsabilidades e metas. Com o intuito de levar os filhos para ajudar na empresa, é muito comum deixá-los sem uma função clara. Muitas vezes, por não estar previamente combinado, as decisões dos filhos podem entrar em conflito com o que os empresários normalmente fazem.

Contudo, os filhos precisam aproveitar esse período inicial de suas carreiras profissionais para entender a dinâmica da empresa, as relações de responsabilidade, risco e performance, que definem as áreas e os cargos nas empresas.

2 – Filho de dono não é dono. Poderá ser um dia. Mas, no início, ele precisa ser tratado como um colaborador sem vínculo familiar. Uma das piores responsabilidades que um gestor pode ter é gerenciar filhos de donos de empresa, que não são preparados e ensinados a respeitar a subordinação.

3 – Os pais precisam aprender a lidar com seus filhos em casa, pois o fluxo de informações que ocorre na família pode criar um ambiente de fofocas, onde os filhos, até por causa de sua imaturidade profissional, podem causar situações de conflito com colegas e gestores, ao usarem a relação com os pais como um escudo para se protegerem de cobranças e avaliações ruins de sua performance.

4 – Um caminho que se mostra bastante produtivo e positivo para apoiar a preparação profissional dos filhos é o de buscar apoio em profissionais da empresa para atuarem no papel de mentores desses jovens. Caso isso não seja possível, outro caminho bastante útil é a contratação de um processo de coaching com um especialista de fora da empresa. Em suma, alguém com experiência e competência para direcionar e abreviar o caminho de aprendizado e de amadurecimento na vivência profissional dos filhos.

5 – Não menos importante é inserir os filhos na estrutura de cargos e salários praticados, para que eles aprendam a relação de remuneração atrelada à responsabilidade e à contribuição nos resultados da empresa.

Esses são passos básicos, mas decisivos na formação pessoal e profissional dos filhos, dando a eles, aos pais e à empresa um claro sentimento de profissionalização das relações entre as pessoas que ali trabalham, com vistas à sua longevidade.

Luiz Marcatti é sócio da consultoria Mesa Corporate Governance.