Exame
  • 01/12/2009 11:33

Justiça suspende amianto no RJ; Eternit diz que vai recorrer

Presidente da empresa alega que o minério usado é 500 vez menos perigoso do que o proibido em outros países

Portal EXAME
A Eternit, maior fabricante de produtos com amianto do Brasil, está proibida temporariamente de comercializar no Estado do Rio de Janeiro qualquer item que contenha o mineral em sua composição. Como a decisão do Juízo de primeiro grau não é definitiva, a empresa diz que apresentará recurso para reverter o julgamento.
 
O executivo goiano Élio Martins, presidente da Eternit, alega que não tem conhecimento de registros na Organização Mundial da Saúde (OMS) de que a população brasileira tenha contraído qualquer doença relacionada ao uso de produtos da empresa contendo amianto crisotila. Em comunicado oficial sobre o caso, a companhia diz que acredita na justiça brasileira e reafirma que a experiência negativa da produção do minério na Europa é com outro tipo de amianto (anfibolio). A tese de Martins é de que o material usado por ele é 500 vezes menos perigoso do que o minério, conhecido como "marrom", proibido em alguns países do mundo
 
Fundada há 69 anos, a Eternit tem cinco unidades produtivas no país - Anápolis (GO), Colombo (PR), Goiânia (GO), Simões Filho (BA) e Rio de Janeiro (RJ). Essa última representa cerca de 7,5% do faturamento total da empresa especialista em fabricação de telhas e caixas-d’água de fibrocimento. Mesmo com a crise financeira mundial, que desacelerou o crescimento do setor de construção civil, no ano passado a companhia teve uma receita de 544 milhões de reais. Esse montante fez com que o grupo liderado por Martins atingisse um lucro líquido de 81 milhões de reais, 86% superior a 2007. No primeiro trimestre deste ano, houve crescimento de 16% do lucro líquido, equivalente a 21,6 milhões de reais, comparado ao mesmo período de 2008.

No dia 29 de outubro deste ano, a Eternit anunciou a emissão de 17,9 milhões de ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal, correspondendo a um aumento de 25% no número de papéis da companhia. A expectativa é de que, em 2011, a empresa fature um bilhão de reais. As ações ordinárias da companhia (ETER3) abriram o pregão desta terça-feira em queda de 1,64%, sendo cotadas a 7,95 reais.