Exame
  • 10/12/2009 22:56

Por que os EUA não aceitam um acordo amplo em Copenhague

Resistência do Congresso e desconfiança de parte dos eleitores dão pouco espaço de ação para o presidente Barack Obama, diz especialista

Peri de Castro, de

Ambientalistas do mundo inteiro comemoraram, há pouco mais de três semanas, a iniciativa do governo americano de definir para seu país metas mais claras de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. A medida marcou o primeiro sinal consistente de que o país mais rico do mundo está disposto a discutir em termos numéricos a suavização dos efeitos da atividade humana sobre o clima.

Poucos dias atrás, veio outra surpresa: a agência ambiental americana (EPA) divulgou estudo segundo o qual os gases-estufa colocam em risco a saúde dos americanos e, portanto, podem ser regulados pela própria EPA. A medida trouxe esperanças de que o governo Obama, eleito sob a promessa de transformar o país num líder do combate ao aquecimento global, poderia avançar de forma mais agressiva nas discussões da Conferência do Clima, em Copenhague.

A ousadia de Barack Obama, porém, não deve ir além desses primeiros passos, segundo Guilherme Casarões, professor de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco, mestre em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo e co-autor do livro A Organização das Nações Unidas.

Ele afirma que o presidente americano terá pouco espaço para se comprometer com pactos ambiciosos de combate ao aquecimento, diante da impossibilidade de contornar o Congresso e da falta de consenso entre os eleitores quanto à gravidade das mudanças climáticas. Na entrevista a seguir, Casarões explica como a posição americana pode influenciar o resultado final da Conferência de Copenhague.

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