São Paulo – Pelo menos 229 servidores do Estado de São Paulo receberam mais que a presidente Dilma Rousseff em junho. As remunerações líquidas – efetivamente recebidas - começam em 254 mil reais, pagos a um coronel aposentado da Polícia Militar, e vão até uma pensionista, que recebeu 33.222 mil no mês. Dilma Rousseff recebeu 33.180 mil reais, obtidos a partir do salário líquido de 19.818 mais pagamento adiantado de metade do 13º salário.
Já o governo estadual não detalha como os seus servidores atingem os vencimentos, limitando-se a publicar o valor final. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, recebeu líquidos pouco mais de 14 mil reais no mês, como mostra o Portal da Transparência.
Pelo menos 776 servidores do estado - de um total de mais de um milhão - receberam, após os descontos da previdência e do imposto de renda, valores acima do teto bruto do funcionalismo, de 26.723 mil reais.
A visualização das remunerações de maneira crescente ou decrescente de salários não foi desponibilizada pelo governo, que apenas divulga os nomes em ordem alfabética e por órgão. Os dados gerais foram tabulados por hackers em uma nova planilha, mais próxima do que pedem especialistas em contas públicas.
“Vai ser preciso que os bancos dos governos sejam disponibilizados não em PDF ou nome, mas de maneira que se possa baixar e cruzar as informações. O ideal é baixar o banco todo e permitir que se faça cruzamentos”, afirmou à EXAME.com em junho o economista e fundador da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco, quando começaram as divulgações previstas na Lei de Acesso à Informação.
Procurada, a Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo afirmou que os valores não se referem aos salários brutos dos servidores, que são limitados a 18.725 reais, o mesmo do governador. Os holerites que atingem acima deste teto contabilizam indenizações, abonos, decisões judiciais, entre outros.