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  • 22/06/2012 06:00

As ações que você não vê, mas que os gestores adoram

Exame.com conversou com cinco gestores que contaram suas histórias de investimento em empresas ‘lado b’

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Lilian Sobral, de

São Paulo – A fabricante do azulejo da sua casa, a empresa que vende seu sapato e a que produziu o relógio que está no seu pulso. Talvez você não saiba, mas provavelmente elas têm ações negociadas na BM&FBovespa, uma boa história de investimento, e chances de te fazer ganhar dinheiro.

Algumas são pouco conhecidas do mercado ou, mesmo com nome forte, estão “fora de moda”, como dizem alguns gestores ouvidos para esta reportagem.

Essas empresas, porém, oferecem boas chances de ganho para quem tem paciência para analisar, tempo para investir, e gosto por histórias ‘lado b’.

Exame.com consultou cinco gestores especialistas no assunto e que falaram de ações nesse perfil. Não são recomendações, mas uma identificação de papéis que podem trazer bons retornos. Confira:

1. Fabio Alperowitch, sócio da FAMA Investimentos

“Uma empresa observada mundialmente por 500 analistas fala com todo mundo, todo dia, e você tem pouca chance de descobrir algo que realmente vá fazer diferença na vida da empresa”, diz Alperowitch ao resumir porque busca as ações ‘lado b’. O portfólio da FAMA é composto por 23 empresas. Nenhuma delas faz parte do Ibovespa.

Nesse tipo de investimento, naturalmente, o risco de errar sozinho é proporcional ao de acertar sozinho, como lembra Alperowitch. Por isso, um dos pontos definitivos no processo de investimento é a abertura que a empresa dá para o investidor conhecer seu negócio, gestão e números.


Uma história de investimento: Entre as empresas do portfólio, a FAMA ressalta as ações da fabricante de cerâmicas e porcelana Portobello (PTBL3). “A empresa é líder brasileira no setor de porcelana, o resultado cresceu mais de 100% no último trimestre, e o setor tem uma grande alavancagem enquanto a empresa não”, afirma Alperowitch.

2. Eduardo Cavalheiro, sócio-gestor da Rio Verde Investimentos

Uma das vantagens da escolha de small caps, para Cavalheiro, é a formação do preço de um papel. “É possível identificar algumas distorções e esse é um dos fatores de decisão para investir numa empresa”, diz.

Outro ponto definitivo na visão dele é a facilidade de acessar as empresas. “Conseguimos ficar mais próximos da direção e conversar com a presidência. Poder acompanhar uma empresa de perto é uma vantagem competitiva”, diz.

A falta de liquidez de alguns papéis, embora traga uma dificuldade para a aplicação, não é impeditivo para a escolha de um papel para o portfólio. Segundo Cavalheiro, a busca é por permanecer no longo prazo. “O momento de saída também é difícil, pois às vezes, para algumas ações, precisamos ficar dois ou três dias negociando para vender um papel”, diz.

Uma história de investimento: Cavalheiro gere um fundo de small caps e, dentro dele, destaca as ações da Qualicorp (QUAL3), Le Lis Blanc (LLIS3), Julio Simões (JSLG3) e JHSF (JHSF3).

Dentro desse fundo, a maior posição é em Abril Educação (ABRE11). “Já existiam empresas de educação negociando na bolsa, mas todas com atuação principal em educação superior”, diz Cavalheiro, citando Anhanguera Educacional (AEDU3), Estácio Participações (ESTC3) e Kroton Educacional (KROT11).

A empresa estreou no mercado em 2011 e, segundo Cavalheiro, o foco em outra área da educação (sistemas de ensino e educação fundamental) traz algumas vantagens, como menos risco de crédito e marcas que atuam com contratos de longo prazo.

3. Pedro Quaresma, sócio e diretor de análise da STK Capital

Oito pessoas analisam o portfólio que gira entre 15 e 20 empresas na STK Capital. Entre essas companhias, algumas são raros achados. “O universo acionário no Brasil não é tão grande, por isso é muito difícil encontrar algum papel que ninguém nunca viu”, diz Quaresma. Embora não seja prioridade buscar papéis escondidos ou um pouco deixados de lado, a gestora tem alguns desses nomes no portfólio.

Uma história de investimento: Entre essas companhias, Quaresma destaca dois nomes. O primeiro é a Lojas Marisa (AMAR3), uma empresa conhecida do grande público, mas um pouco deixada de lado pelo mercado.

“A empresa teve um momento muito positivo por muitos anos, sem necessidade de fazer ajustes em custos e eficiência, porque estava crescendo muito bem”, diz Quaresma. Agora, ela passa pela primeira vez por uma pressão nas vendas, o que na visão do gestor, gera uma oportunidade. “A empresa começou a discutir mudanças nas lojas, contratação de consultores externos, e tudo isso pode gerar um efeito positivo”, diz Quaresma.


A outra história de investimento é nas ações da fabricante de relógios Technos (TECN3). Segundo Quaresma, os sócios já tinham uma experiência internacional com o setor, o que gerou interesse nos papéis. “Assim que a empresa veio ao mercado nos interessamos em analisar e encontramos os valores que gostamos”, disse.

Para a tese de investimento nesse papel, ele destaca que a boa geração de caixa, capacidade de pagar bons dividendos ao longo do tempo, ampla rede de distribuição e governança corporativa elevada.

4. Flávio Sznajder, gestor da Bogari Capital

Na filosofia de investimento da Bogari, falta de liquidez não é um impeditivo para um investimento, mas um ponto importante para definir as posições. “Se uma empresa tem baixa liquidez, vamos colocar um percentual menor nela”, afirma Sznajder. Outro critério de gestão de risco também utilizado é o preço de um papel. “Achamos relevante comprar ativos com preços adequados”, diz.

Uma história de investimento: Sznajder destaca a Grendene (GRND3), uma empresa muito parecida com a Alpargatas (ela fabrica as sandálias Ipanema), mas que reportou recentemente melhores resultados. A Bogari também já teve papéis da fabricante das sandálias da Havaianas, mas um dos critérios principais para escolher um ou outro foi o preço.

Sznajder também cita o investimento nos papéis da Brasil Insurance (BRIN3), que começou apenas um ano após a ter ido à bolsa. “Achamos que é um ativo com bom preço, que paga bons dividendos e tem potencial para continuar pagando”, diz.

5. Marcelo Sá Earp, sócio da First Value Capital

Na First Value, como explica Earp, a ideia não é buscar empresas ‘escondidas’, mas apenas “fora de moda”. “Temos por um critério de controle de risco não olhar empresas com baixa liquidez”, afirma. No portfólio atual, a gestora tem 20 empresas que, embora tenham boa negociação, possam passar despercebida do radar do investidor.

Uma história de investimento: Entre investimentos que passavam despercebidos do mercado, Earp cita a aposta que fizeram em Cielo (CIEL3) na época em que houve a quebra do monopólio das credenciadoras. Hoje a empresa já se desfez dos papéis, mas o que definiu a tese naquele momento foi uma aposta contrária ao do mercado, de que a ação poderia subir mesmo com a mudança nas regras do setor. “Na ocasião, não tínhamos muita expectativa. O desconto apenas parecia excessivo e o acerto foi o momento da compra”, diz.