Volks encerra produção de carros com vendas lentas

A marca homônima da Volkswagen AG descontinuará modelos com vendas lentas, como o compacto Polo de duas portas, e reduzirá a gama de opções de equipamento

Berlim – A marca homônima da Volkswagen AG descontinuará modelos com vendas lentas, como o compacto Polo de duas portas, e reduzirá a gama de opções de equipamento no intuito de reviver a rentabilidade.

Os lucros operacionais da unidade de carros de passageiros da VW caíram 14 por cento, para 2,48 bilhões de euros (US$ 2,64 bilhões) em 2014, apesar de as vendas terem crescido 0,4 por cento, para 99,8 bilhões de euros, disse a empresa com sede em Wolfsburg, Alemanha, na quinta-feira.

O declínio reduziu a margem operacional de 2,9 por cento da receita em 2013 para 2,5 por cento.

“Queremos melhorar em todos os aspectos em 2015 e dar o próximo passo em direção ao auge”, disse o CEO Martin Winterkorn em uma coletiva de imprensa em Berlim.

No ano passado, a Volkswagen, a segunda maior fabricante de veículos do mundo, estabeleceu como meta acrescentar 5 bilhões de euros aos lucros da marca VW até 2017 com reduções de gastos e uma maior produtividade.

O objetivo é que a marca gere margens de pelo menos 6 por cento para 2018 a fim de reduzir a dependência da companhia controladora das divisões de luxo Audi e Porsche para gerar benefícios.

Ganhos com uma maior eficiência de “muito mais” de 1 bilhão de euros incrementarão os lucros da marca VW neste ano, disse Winterkorn. A empresa identificou cerca de 50 por cento das medidas necessárias para alcançar a meta de 5 bilhões de euros em benefícios adicionais, disse ele.

Da descontinuação dos carros que contribuem com apenas uma pequena porção do volume de vendas resultará uma economia de “centenas de milhões” de euros, disse Winterkorn.

A VW também abandonará funções e equipamentos opcionais pedidos para menos de 5 por cento das unidades de um modelo particular no intuito de reduzir a complexidade e os custos de desenvolvimento.

Perseguindo a Toyota

Depois de passar anos impulsionando o crescimento em uma tentativa de ultrapassar a Toyota Motor Corp., a Volkswagen mudou o foco para a rentabilidade, ainda que a empresa esteja engrossando os investimentos para atualizar fábricas e desenvolver tecnologia para carros elétricos e veículos sem motorista.

Os esforços com a eficiência ainda não renderam frutos, já que a VW está enfrentando uma desaceleração do crescimento do mercado na China e o desmoronamento da demanda na Rússia e no Brasil. A fabricante almejará lucros operacionais para seu grupo na faixa de 5,5 por cento a 6,5 por cento da receita neste ano, comparado com 6,3 por cento em 2014. Projeta-se que as operações com carros de passageiros gerem uma margem de 6 por cento a 7 por cento.

A VW planeja incrementar os envios, a receita e os lucros operacionais em 2015, apesar de que “a incerteza política, fortes flutuações cambiais e ambientes complicados em certos mercados apresentam desafios importantes”, disse o diretor financeiro, Hans Dieter Pötsch.

Audi, Porsche

A Audi, a maior contribuinte para os ganhos da Volkswagen e a segunda maior fabricante de carros prêmium do mundo, aumentará seus gastos em capacidade suplementar de fabricação e em novos modelos a fim de correr atrás da líder do mercado de veículos de luxo, a BMW. A margem de lucros da Audi se reduziu de 10,1 por cento para 9,6 por cento no ano passado. Neste ano, o retorno sobre as vendas cairá dentro da faixa de 8 por cento a 10 por cento, disse a divisão na terça-feira.

A margem de lucros da Porsche diminuiu de 18 por cento para 15,8 por cento porque a fabricante de carros esportivos gastou dinheiro no lançamento do veículo utilitário esportivo compacto Macan e na reforma do seu produto mais vendido, o SUV Cayenne. Mesmo assim, o retorno da Porsche sobre as vendas se manteve entre os mais altos das fabricantes mundiais de veículos.

A fabricante de veículos, que vendeu o recorde de 10,1 milhões de veículos no mundo inteiro no ano passado, espera aumentar “moderadamente” seus envios em 2015, apoiada por 50 modelos novos ou reformados, entre eles a van compacta Touran da VW, o sedã Superb da Skoda e o SUV Q7 da Audi.