Votorantim Novos Negócios anuncia fusão de Tivit com Telefutura

Nova empresa, que nasce com receita de 700 milhões de reais, pretende competir no mercado de terceirização de serviços de tecnologia da informação no Brasil e no exterior

A Votorantim Novos Negócios (VNN), braço de venture capital do grupo Votorantim, anunciou a fusão de duas de suas controladas – a Tivit, empresa especializada em serviços de outsourcing de tecnologia da informação, com a Telefutura, focada em contact center e soluções de relacionamento. Antes da fusão, 100% do capital da Tivit pertencia à VNN. Na Telefutura, a composição era 40% da VNN, 28% do Banco Pátria e 32% dos sócios fundadores, Luiz Mattar e Eraldo de Paola. Na empresa resultante da fusão, a VNN deterá 72,1% do capital, o Pátria, 12,4%, e os fundadores, 15,5%. A operação foi feita por meio de troca de ações.

De acordo com Paulo Henrique de Oliveira Santos, diretor-presidente da VNN, a fusão segue a tendência mundial do setor, motivada pela demanda dos clientes em contar com pacotes mais completos de serviços oferecidos por um único provedor. Santos afirma que, no caso da Tivit, a fusão criou a primeira empresa brasileira capaz de oferecer serviços integrados de TI, contact center e BPO (Business Process Outsourcing – serviço que integra desde o conhecimento de como gerir determinada área de negócios do cliente, passando pela infra-estrutura de TI necessária, até a terceirização da mão-de-obra necessária).

A empresa nasce com um faturamento previsto para 2007 de 700 milhões de reais, e espera contratar mais 3.000 funcionários neste ano, o que elevaria o quadro para 18.000. O faturamento pró-forma, no ano passado, foi de 500 milhões de reais. De acordo com Luiz Mattar, presidente da nova Tivit, o mercado de serviços terceirizados de TI cresce cerca de 15% ao ano no Brasil. “Nossa meta é crescer acima disso nos próximos cinco anos”, afirmou durante encontro com jornalistas nesta terça-feira (24/4). O executivo preferiu não revelar quanto a empresa espera faturar ao final deste período.

Segundo projeções da VNN, no mercado brasileiro, somente os serviços de contact center e terceirização de TI devem crescer 78% até 2010, partindo de 13,47 bilhões de reais no ano passado, para 24,44 bilhões. A área de terceirização de TI deve crescer mais rapidamente, a uma taxa anual de 18%, e totalizar 17,8 bilhões de reais em 2010. Já a área de contact center avançará 11% ao ano, até 6,640 bilhões.

A nova Tivit também deposita esperanças no mercado externo. O mercado mundial de desenvolvimento de sistemas offshore deve crescer a uma taxa anual de 40% entre 2006 e 2010, saindo de 48 bilhões de dólares para 184,4 bilhões. “Queremos ser líderes não apenas no Brasil, mas também no mundo”, afirmou Alexandre Saigh, sócio do Pátria responsável pela área de private equity.

Estratégias

Três estratégias devem sustentar a expansão da Tivit nos próximos anos. A primeira é o crescimento orgânico. Hoje, a empresa conta com 300 clientes, dos quais, 250 captados entre bancos, seguradoras, serviços públicos e financeiras. Crescer nesse mercado ainda é possível, segundo Mattar. “Há 500 empresas dessas áreas capazes de terceirizar alguma área e temos 250 delas”, disse. Os outros 50 clientes da Tivit são do setor industrial. Apenas para o crescimento orgânico, o investimento previsto neste ano é de 100 milhões de reais – 50% maior que o de 2006. Os recursos sairão do próprio caixa da empresa.

As aquisições serão a segunda frente de expansão. De acordo com Santos, da VNN, estão em análise possíveis alvos no Brasil e no exterior. O executivo não revela quanto tem em caixa para ir às compras, mas afirma que, entre os objetivos, estão ampliar a participação de mercado no segmento de contact center, complementar os serviços de BPO, e consolidar a área de integração de sistemas. O mercado espera, há algum tempo, o anúncio da aquisição de um grande call center pela Tivit.

Para custear as aquisições, Santos não descarta abrir o capital da Tivit e recorrer à bolsa de valores. “Temos planos ambiciosos, e abrir o capital é uma alternativa”, afirmou. O executivo não forneceu, contudo, um prazo para que isto ocorresse.

A internacionalização dos negócios é a terceira estratégia. Segundo Edson Leite, vice-presidente da Tivit, cerca de 5% do faturamento da empresa provém de prestação de serviços a clientes no Canadá, Estados Unidos, América Latina e Europa. “É um negócio ainda embrionário”, afirmou, sem revelar, contudo, quanto esta carteira pode atingir no futuro.

A nova Tivit já nasce como o maior negócio da VNN e responderá por cerca de 70% de seu faturamento. A empresa de capital de risco do grupo Votorantim mantém participações em outras seis empresas: Alellyx, Anfreixo, Canavialis, Scylla, Quadrem e SAM. A VNN dispõe de 300 milhões de dólares para aplicar em venture capital.