Shopping no Acre atrai redes Marisa, Renner e Riachuelo

Entre as lojas-âncora, a Marisa era a única que já contava com uma unidade de rua na capital do Estado, e agora concorre com Renner e Riachuelo no varejo de vestuário

Rio Branco – O primeiro shopping no Acre, o Via Verde, atraiu redes como Marisa, Renner, Riachuelo e Americanas, que instalaram lojas-âncora no empreendimento.

A forte tradição dos acreanos de comprar em lojas de rua, mais populares, tem se refletido no desempenho do shopping em Rio Branco, onde as lojas de departamento, geralmente com preços mais baixos, estão registrando os melhores resultados.

Entre as lojas-âncora, a Marisa era a única que já contava com uma unidade de rua na capital do Estado, e agora concorre com Renner e Riachuelo no varejo de vestuário, que estrearam no Acre por meio do shopping.

As maiores filas são vistas diariamente na Lojas Americanas. Segundo uma fonte, após o bom desempenho no shopping, a Americanas já teria adquirido outro terreno para inaugurar sua primeira loja de rua em Rio Branco.

Em linhas gerais, as lojas-âncora e aquelas já conhecidas da população local são as que comemoram os números desde a inauguração do shopping, cerca de um mês atrás.

“A região Norte tem recebido atenção do mercado como um todo, pelo seu potencial de crescimento econômico, e tem recebido atenção especial no plano de expansão da companhia”, disse à Reuters o diretor de operações da Renner, Paulo Soares.

A varejista, que tem seis lojas na região Norte e 77 no Sudeste, investiu 7,2 milhões de reais na loja em Rio Branco.


A Riachuelo, por sua vez, informou ter apurado vendas acima das expectativas no primeiro mês de operação do Via Verde, e vê potencial para explorar a região.

“Por estar mais distante dos centros criadores, a região Norte era obrigada a conviver com certo atraso na chegada das tendências. Hoje isso mudou”, afirmou o gerente de expansão da Riachuelo, Marcos Tadeu.

Comércio de rua

Embora a instalação do Via Verde Shopping seja vista com bons olhos por associações, empresários e pela própria população, o empreendimento ainda enfrenta certa resistência de consumidores sem o hábito de comprar em complexos desse tipo.

Entre os lojistas, principalmente aqueles de rua, o sentimento também foi de descrédito e pessimismo.

“O shopping chegou como opção para as classes A, B e C. As classes inferiores seguem no comércio de rua”, assinalou o presidente da Associação Comercial e Industrial do Acre, João Batista Fecury Bezerra.

Segundo ele, um dos principais papéis do shopping é o de incentivar a concorrência. Desde a construção do Via Verde, os comerciantes de rua em Rio Branco vêm se reestruturando em termos de política de preços e de marketing, para se adaptar e competir com as condições do shopping.

“(O shopping) ainda não refletiu em queda nas vendas de rua, mas depois do Natal deve acirrar”, acrescentou Bezerra.

Gerente de uma loja popular de moda jovem, Adriano do Valle discorda e garante não temer qualquer retração no movimento da loja. “Não teve, nem vai ter (queda nas vendas). O público que compra aqui não compra em shopping”, disse, referindo-se às lojas concentradas em uma galeria no centro de Rio Branco.

Com os mesmos preços praticados nas lojas de rua, a rede popular Casa da Sogra, tradicional da região Norte, instalou uma unidade no Via Verde, onde traçou a meta de faturamento de 800 mil reais para dezembro. Segundo o gerente Jaderson Soares, as vendas já estão maiores que o esperado, com uma média diária de 20 mil a 30 mil reais.

“A região Norte é a que mais cresceu de 2004 para cá e tem grande potencial para ser explorada em termos de consumo justamente pela migração das classes de renda”, afirmou o presidente do conselho do Programa de Administração do Varejo da FIA, Cláudio Felisoni. “É um processo natural de expansão. As empresas estão migrando para centros de menor atratividade, que estão sendo incorporados ao mapa de consumo”.

Franquias sob pressão

No sentido oposto ao das lojas-âncora, as franquias, cujos produtos antes da inauguração do Via Verde Shopping eram encontrados apenas em lojas multimarcas da capital do Acre, registraram vendas abaixo do previsto no primeiro mês de operações.


“A maioria das pessoas vem mais por curiosidade. O shopping vai demorar uns dois anos para entrar no ritmo”, afirmou a gerente da loja de moda feminina Zinzane, Enura de Oliveira Silva. A empresa espera faturar 500 mil reais em dezembro. No mês passado, quando a meta era de 350 mil, as vendas atingiram apenas 144 mil reais.

Exceção entre as franquias, a rede de acessórios e bijuterias Pink Biju tem apurado movimento intenso diariamente e superou as metas de vendas. “Já esgotamos o estoque e estamos vendendo tanto quanto em outros Estados onde há franquias”, disse a gerente Jéssica Santos.

Com vendas de 4 mil a 8 mil reais nos finais de semana, a rede está planejando ampliar a loja no shopping ou abrir uma unidade de rua em Rio Branco.