Sem consenso, PDG pode refazer plano de recuperação

A tendência é de que os empreendimentos com patrimônio de afetação fiquem fora do processo de recuperação judicial, ao contrário do proposto pela PDG

A construtora PDG Realty e alguns dos principais bancos credores ainda não chegaram a um acordo sobre quais empreendimentos poderão fazer parte do processo de recuperação judicial da incorporadora, apurou o Estadão/Broadcast. Os bancos têm até amanhã para formalizar suas posições.

Diante desse cenário, a tendência é de que os empreendimentos com patrimônio de afetação fiquem fora do processo de recuperação judicial, ao contrário do proposto pela PDG.

O patrimônio de afetação foi um instrumento criado na esteira da falência da Encol, nos anos 1990 – o instrumento “separa” o patrimônio da construtora e o de cada empreendimento.

Isso porque, disseram fontes, Itaú e Santander concordariam com a proposta da empresa, enquanto o Bradesco ficou reticente. Já Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil seriam contrários ao plano.

Se houvesse consenso entre as partes, o acordo seria diretamente homologado pelo juiz João de Oliveira Rodrigues Filho, da 1.ª Vara de Falências e Recuperações de São Paulo. Na ausência desse entendimento, o magistrado tomará uma decisão com base na legislação e nos argumentos da construtora e dos bancos.

A PDG deve acatar a decisão dos credores. Se os bancos optarem por manter os empreendimentos com patrimônio afetado fora da recuperação, a incorporadora vai refazer os planos de pagamento das dívidas, apurou o Estadão/Broadcast. Há conversas para que os bancos liberem crédito novo para a conclusão de obras paradas.

A PDG encerrou o primeiro trimestre com patrimônio líquido negativo em R$ 3,6 bilhões. A avaliação é de que a companhia pertence aos credores e que não há razão para litígios, como ações na Justiça, por exemplo.

A Vinci Partners, principal acionista da PDG, deu carta branca para os administradores da incorporadora negociarem com os bancos. A única exigência é tentar preservar a liquidez, para garantir a equalização das dívidas e a retomada dos lançamentos.

Procurados, as instituições financeiras e a PDG não quiseram comentar o assunto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.