Santos e Peñarol: em jogo de US$ 5 milhões, estilos opostos de gestão

Para presidente do Santos, futebol é negócio; já para o do Peñarol, é uma m... (sim, isso mesmo)

São Paulo – A decisão da Libertadores, nesta quarta-feira (22/6), não será apenas um confronto entre a habilidade de Neymar e os duros zagueiros uruguaios. Será, também, o embate de dois estilos totalmente opostos de administrar uma equipe de futebol.

De um lado, estará em jogo um projeto de dois anos iniciado por um time de executivos santistas, liderados pelo presidente do clube, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro. De outro, um estilo de gestão personalista, encabeçado pelo presidente do Peñarol, Juan Pedro Damiani.

Ribeiro foi eleito com o apoio explícito de um grupo de executivos peso-pesados do mundo dos negócios. Reunidos na Resgate Santista, uma agremiação fundada em 2002, estão nomes como Álvaro Simões, presidente da incorporadora Viver (ex-InPar); Celso Loducca (da agência de publicidade que elva seu nome); Fábio Barbosa (presidente do conselho de administração do Santander); e Guilherme Leal (um dos donos da Natura).

No azul

O projeto desse grupo é bastante claro: fazer o Santos voltar aos velhos tempos de glória e, de quebra, colocar as finanças do clube nos eixos. Além de discutir temas que vão do dia-a-dia do time até o plano de carreira de seus jogadores, a equipe de engravatados também já mostra os primeiros sinais de recuperação.

De acordo com o balanço do time, em 2010, o Santos saiu do vermelho e lucrou 10,1 milhões de reais. No ano retrasado, as perdas haviam somado 28,2 milhões. Já as receitas subiram 65%, para 116,5 milhões de reais.

Sacrifício

Do outro lado, está Damiani. Filho de um banqueiro uruguaio, o presidente do Peñarol é também um grande empresário em seu país. Contador por formação, Damiani divide-se entre uma empresa de consultoria e auditoria e diversos outros negócios.


Para atender a todos os compromissos, Damiani não costuma gastar mais do que umas poucas horas por dia com o clube que preside. Para Damiani, cuidar da equipe não é um negócio, mas sim um sacrifício que faz em nome do amor pelo clube e para que o futebol uruguaio não desapareça do mapa sul-americano.

Sem negócio

Eleito em novembro de 2008, Damiani concedeu uma entrevista ao jornal uruguaio El País dois meses depois. “Nunca fiz negócios no futebol, e nem vou fazer”, afirmou na ocasião. Damiani chegou a afirmar que só assumiu o Peñarol para “não deixar o futebol morrer.”

Nesta quarta-feira, essas duas formas opostas de encarar um clube de futebol estarão em campo. Quem vencer a Libertadores não terá, apenas, o direito de ostentar o título de campeão sul-americano. Também embolsará um prêmio avaliado em 5 milhões de dólares: 1,6 milhão pela conquista, cerca de 400.000 dólares em bilheteria e outros 3 milhões para participar do Mundial de Clubes, no Japão, em dezembro.

Na mesma entrevista de 2009, Damiani foi categórico ao afirmar que o Peñarol, “como negócio, é uma m…” (sim, aquilo mesmo). Já Ribeiro, do Santos, não se cansa de dizer que futebol é um negócio e, como tal, tem de dar resultado. O resultado do jogo desta quarta dirá se o futebol é mesmo algo que não cheira bem, como diz Damiani, ou se é algo bem rentável, como quer Ribeiro – ou se voltaremos àquele batido ditado de que, no fundo, ele é mesmo uma caixinha de surpresas.