Salvar o Yahoo! ou arruinar sua carreira: as opções de Scott Thompson

Novo presidente do Yahoo! tem trajetória de realizador, mas vai ocupar o cargo mais arriscado do mundo das pontocom

São Paulo – Scott Thompson fez fama ao transformar o PayPal, o serviço de pagamentos online do eBay, em um negócio bilionário e internacional. Os analistas de mercado não pouparam elogios, mas o fato é que, a partir da semana que vem, Thompsom colocará em jogo todo o seu prestígio ao sentar-se na cadeira mais complicada das empresas pontocom: a de presidente-executivo do Yahoo!

O fato é simples: um currículo de realizações notáveis não basta para garantir que Thompson está à altura do desafio de resgatar uma das mais conturbadas empresas de tecnologia do mundo.

E o motivo é óbvio: currículo, todos os executivos que o precederam na tarefa também tinham. A desbocada Carol Bartz chegou ao Yahoo! em 2009 como a festejada responsável por transformar a produtora de softwares AutoDesk em um fenômeno de lucros e faturamento.

Antes dela, a presidência foi ocupada por Jerry Yang, um dos fundadores do próprio Yahoo! e visto como um dos garotos-prodígios do Vale do Silício. E antes ainda de Yang, houve Terry Semmel, que transformou a Warner Bros em um estúdio bilionário em 24 anos de carreira por lá.

Carol Bartz acabou demitida há quatro meses, após os acionistas perderem a paciência com a sucessão de resultados irregulares e a sua incapacidade de dar novos rumos à companhia. Hoje, ela é mais conhecida pela polêmica declaração de que o Yahoo! a havia f… (sim, aquilo mesmo), do que pelo que fez na AutoDesk.


Yang ficou com fama de bobo e egocêntrico ao se recusar a vender a empresa para a Microsoft por 45 bilhões de dólares. E Semmel tornou-se mais conhecido pelos milhões que embolsou em bônus do Yahoo! durante os seis anos em que o presidiu, do que pelas suas ações como gestor.

Em resumo, o Yahoo! tem destruído a reputação de seus principais executivos há anos, e Scott Thompson é o novo candidato a ver seu currículo virar pó. Em que pese todo o seu respeitado conhecimento de tecnologia (ocupou, entre outros cargos, o de diretor da área no PayPal e na Visa), há uma série de obstáculos que precisará superar.

O básico é encontrar um novo caminho para o Yahoo!, mas Thompson precisará dar uma resposta a isso correndo contra o tempo. Isto porque vários concorrentes já manifestaram o desejo de comprar parte da empresa, ou mesmo toda ela. Entre os candidatos, estão a Microsoft, o site chinês de buscas Alibaba e o fundo de private equity Blackstone.

E circulam informações de que os acionistas estão perdendo a paciência e, de fato, mostram-se dispostos a negociar a venda de fatias ou mesmo do controle da empresa. Não há margem de erro para Thompson – mas isso todos sabem, inclusive o próprio. Se ele tem a resposta para os problemas do Yahoo! é que não se sabe.