Revolução no varejo físico?

Por mais que a indústria da tecnologia tente ano após ano, a Internet das Coisas na casa dos consumidores não decolou – e nem parece que vai decolar tão cedo. Por outro lado, pelo menos em testes de grandes redes, ela se tornou uma tendência cada vez mais visível no varejo. Este deve ser o grande tema da NRF, a National Retail Federation Big Show, a maior feira de varejo do mundo que começou ontem e vai até amanhã em Nova York.

A última chacoalhada do mercado foi um vídeo de dezembro, no qual a Amazon anunciou que vai lançar um supermercado em que os clientes não precisam pegar filas para pagarem seus produtos. Basta se identificar com o smartphone ao entrar, pegar o que quiser e sair. O serviço é chamado Amazon Go e é a nova aposta de uma das principais redes de e-commerce do mundo no varejo físico, renovando o ânimo até de concorrentes. Em 2015, a Amazon havia lançado suas primeiras livrarias.

A notícia vem sendo comemorada até por varejistas concorrentes, como Walmart e Macy’s, que vêem nestas inovações uma tábua de salvação para competir, veja só, com a internet. A própria Macy’s anunciou no último dia 4 que vai cortar 10.000 empregos e fechar uma dúzia de lojas.

Para os visitantes, a Big Show está mais parecida do que nunca com a CES – maior feira de eletrônicos do mundo, que acontece em Las Vegas também em janeiro. Tecnologia, tecnologia, e tecnologia. Outros temas que devem estar nos painéis são mobilidade, cibersegurança para pequenos negócios e as implicações da “venda inteligente”.

Números divulgados na última sexta mostra que as vendas do comércio nos Estados Unidos cresceram 4% entre novembro e dezembro, a época mais importante do ano, acima dos 3,6% esperados. Pequenos e médios estabelecimentos foram os mais beneficiados. “Esses números mostram uma recuperação econômica lenta, mas estável, e que está acelerando, já que os consumidores se sentem bem com o futuro”, afirmou em um comunicado o presidente da National Retail Federation, Matthew Shay. As vendas online foram 12,6% maiores que no ano anterior. Mesmo assim, a tendência de “todo mundo ir para o online” parece ter virado ao contrário. A Amazon que o diga.