Quem vai comprar a Eldorado?

O acordo de exclusividade com o grupo chileno Arauco chegou ao fim e as brasileiras Fibria e Suzano já demonstraram interesse

A venda da fabricante de celulose Eldorado, controlada pelo grupo J&F, da família Batista, deve ganhar novos interessados a partir desta sexta-feira. Isso porque terminou ontem o acordo de exclusividade de 45 dias entre a Eldorado e o grupo chileno Arauco. A Arauco ofereceu 4 bilhões de dólares (cerca de 13 bilhões de reais) pela companhia brasileira.

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Com o fim do prazo, a expectativa é de que a brasileira Fibria, maior companhia do setor, entre na disputa. A empresa já confirmou seu interesse na Eldorado por meio de nota. Outra brasileira, a Suzano, também se disse interessada na companhia, mas ontem seu presidente, Walter Schalka, afirmou que a possibilidade de compra da Eldorado é “perto de zero”. “Não se sabe se será Arauco, Fibria ou um terceiro, mas a possibilidade de a Suzano comprar esses ativos é próxima de zero. Só acontecerá se esses ‘players’ desistirem”, afirmou durante teleconferência com jornalistas.

A companhia foi colocada à venda junto com uma série de empresas da J&F com o objetivo de resgatar o grupo, após a delação de seus controladores revelada em maio. A holding já vendeu as operações de carnes da América do Sul da JBS para o frigorífico Minerva (por 300 milhões de reais), a fabricante de calçados Alpargatas para os fundos Cambuhy e Itaúsa (por 3,5 bilhões de reais) e a fabricante de laticínios Vigor para o grupo mexicano Lala (por 5,7 bilhões de reais).

A venda da Eldorado, no entanto, ficou mais complicada na última quarta-feira. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo aceitou o pedido da empresa Viscaya Holding Participações, do doleiro Lucio Funaro, contra a Eldorado, para o bloqueio dos seus bens. Funaro, preso e réu na Operação Lava-Jato, cobra um pagamento 44 milhões de reais, sob a alegação de que não teria recebido o valor combinado para intermediar a contratação de um empréstimo de 940 milhões de reais da Eldorado junto ao fundo de investimento FI-FGTS. Em nota, a J&F afirma que “não há, até o momento, fundamento fático e documental para determinar o bloqueio de bens de empresas do grupo”.