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Última atualização 25/05/2017 - 17:21 FONTE

Para S&P, venda de ativos da Petrobras deve atrasar um ano

O cenário da agência de risco leva em conta as decisões do TCU, que têm atravancado o processo de desinvestimento da Petrobras

Rio – A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) considera, em seu cenário básico, um atraso de pelo menos um ano na execução do plano de desinvestimento da Petrobras.

Esse atraso está relacionado com decisões do Tribunal de Contas da União (TCU), que têm dificultado as alienações, em razão de irregularidades encontradas em procedimentos.

O programa de venda de ativos é visto, ao lado da política de preços, como um dos pilares para a desalavancagem da petroleira.

“Mas a empresa pode gerenciar esse atraso”, disse a analista Renata Lotfi em teleconferência com jornalistas. “O plano de desinvestimento será importante para ações futuras de rating”, completou.

Apesar disso, a S&P não espera uma piora dos ratings da companhia em função desses atrasos.

Renata e o analista Luciano Gremone conversaram com a imprensa a respeito da decisão da agência de elevar de B+ para BB- o rating em escala global da Petrobras no último dia 10. O rating de perfil de crédito também foi elevado, de B- para BB-. A perspectiva é estável.

Em relatório divulgado naquela data, a S&P afirmava que a Petrobras busca uma estratégia focada em acelerar a redução de sua dívida e fortalecer sua liquidez.

“Em nossa opinião, o estabelecimento da política de preços apoia a visibilidade de fluxos de caixa e uma estrutura de capital mais equilibrada”, afirmava.

Na teleconferência, os analistas destacaram o avanço recente da companhia em termos de governança após a crise detonada pelas investigações da Lava Jato.

Renata Lofti destacou a melhora dos controles internos, processos de decisão e maior independência da diretoria.

A nova política dos combustíveis da estatal, que prevê uma revisão mensal no preço da gasolina e do óleo diesel com base nas cotações internacionais dos derivados de petróleo, também é um ponto a favor da melhora do rating.

O grande desafio da estatal, entretanto, será sustentar essas mudanças com uma troca de governo, já que o Brasil passará por eleições de 2018.

Manter a política de preços independentemente de quem assumir o comando do País – e o controle da Petrobras – é considerado um ponto fundamental para que a companhia consiga ter fluxo de caixa positivo.

Os analistas destacaram que algo que pode influenciar a política de preços de combustíveis são eventuais parcerias da petroleira no “downstream” (refino, transportes e distribuição). “Precisamos esperar e ver o que acontece”, disse Renata.

Com a política de preços, a Petrobras vem conseguindo mostrar independência em relação à controladora União, após anos sendo acusada de manter baixos os preços dos combustíveis para segurar a inflação.

Parte do endividamento da empresa foi acumulado durante o período em que comprava petróleo e derivados no mercado externo a preços superiores ao que praticava internamente.

Nota soberana

Os analistas da agência da S&P disseram que, se a nota soberana do País for elevada, haverá uma ação positiva sobre Petrobras.

Por outro lado, mesmo que a nota soberana fosse rebaixada, a nota da Petrobras seguiria em BB-. Eles afirmaram ainda que apostam que a recuperação da petroleira terá impacto sistêmico sobre a economia brasileira.

No dia 10 de fevereiro, a S&P elevou o rating da petroleira. A nota do Brasil, por outro lado, foi mantida em BB, com perspectiva negativa, o que significa uma probabilidade em três de a agência rebaixar o rating do País.

A analista Renata Lofti destacou que a melhora na percepção do mercado em relação à Petrobras, por conta de ajustes na governança e ações para redução de custo e da dívida, destravou o acesso da estatal ao mercado.

Se antes os financiamentos da Petrobras estavam concentrados em instituições financeiras chinesas, agora a companhia tem conseguido captar de forma diversificada.

“Isso mostra que a Petrobras recuperou acesso ao mercado internacional”, disse. A S&P não vê mudanças fundamentais na estrutura de capital da petroleira nos próximos anos.

Questionados sobre os possíveis efeitos das ações coletivas (class actions) nos Estados Unidos, os analistas da S&P responderam que estas podem ser mais gerenciáveis em termos de liquidez do que a agência imaginava. Um dos motivos é a atual situação favorável da petroleira.

Eles relataram ainda que há ações individuais em curso, com valor mais difícil de ser mensurado, porém também acreditam que estas são mais gerenciáveis atualmente.