Para empresas, Temer precisa reverter recessão na prática

Pesquisa da Amcham feita nesta semana, revela avaliação das maiores companhias do país sobre o novo governo

São Paulo – Depois de pouco mais de 30 dias de Governo Temer, a maioria das empresas “aguarda medidas duras e demonstração da capacidade de gestão e de governabilidade do novo líder em reverter o cenário de recessão da economia”.

Isso é o que mostra a pesquisa realizada pela Câmara Americana de Comércio/AMCHAM nesta semana com os 253 presidentes e diretores de alguns dos maiores negócios do país.

De acordo com o levantamento, 74,2% das companhias avaliam o primeiro mês do novo governo como “neutro”. Uma parcela de 20,6% considera “positiva”, pois acredita que “a condução de boas iniciativas deverão reverter o cenário econômico negativo”.

Os outros 5,2% acham “negativa” a condução atual do país, segundo a consulta.

Na hora de qualificar o humor das empresas em relação à economia brasileira na condução do governo Temer em 2017, a maioria dos empresários (79,1%) afirmou estar “esperançosa” e com expectativa de retomada no médio e longo prazo.

Outros 11,9% estão “confiantes” e acreditam na retomada no curto prazo, e 9,1% registraram “desconfiança” com incertezas em relação à capacidade de retomada econômica com o novo presidente.

Mais impostos

Para mais da metade dos entrevistados, Michel Temer conseguirá liderar a aprovação da PEC 241 dos gastos. Porém, os empresários acreditam que o presidente vai aumentar impostos, mesmo tendo dito o contrário, em 30 de setembro.

Outros 19,8% creem que a aprovação acontecerá, sem impostos extras, enquanto 11,5% avaliam que Temer não terá capacidade de aprovação e o cenário será de aumento – os demais consultados não opinaram.

Ainda segundo a pesquisa, os executivos acreditam que, além do programa de concessões, outras áreas são prioritárias para a reativação da economia e devem ser levadas em consideração com urgência.

Na opinião deles, o setor produtivo (53,4%) é o principal por garantir a competitividade da indústria, seguido do comércio exterior (15,8%), com incentivos e acordos internacionais preferenciais, bilaterais e de convergência regulatória.

O segmento educacional (15,8%) é também tido como estratégico pela formação de profissionais, bem como inovação (15%).