Pai, filho, e um Porsche pra chamar de seu

James Schembari
© 2016 New York Times News Service

Atlanta – Comprar um carro novo é algo especial. Comprar um carro esportivo é muito, muito especial. Comprar um carro esportivo com seu filho adulto para apostar corridas em autódromos é uma experiência que requer ainda mais adjetivos.

Meu filho Sam e eu viajamos recentemente para Atlanta, lar da sede americana do nosso objeto de amor: o Porsche.

A empresa conta com um novo programa de entrega em que os compradores podem encomendar o carro na Alemanha e buscá-lo aqui, com um bônus especial: os novos donos podem passar algum tempo na pista de corrida de empresa ao lado de instrutores de direção, para conhecer as capacidades do veículo, além de experimentar várias manobras que não seriam muito bem vistas se fossem feitas nas ruas.

Sam e eu fizemos uma vaquinha para comprar um Porsche Cayman S 2016, o irmão menor do formidável 911, e um carro elogiado pela crítica por sua dirigibilidade.

O Cayman, com seu motor de seis cilindros em linha é meu carro dos sonhos há muitos anos. Quando a Porsche anunciou que adotaria o motor turbo de 4 cilindros a partir de 2017, percebi que essa era a minha melhor chance de conseguir um Cayman de seis cilindros.

Com o valor de venda do carro acima de US$ 65 mil, achei que seria impossível. Mas quando meu filho, que também é maníaco por carros, disse que estava atrás de um carro novo, percebi que poderíamos comprar o Porsche se fizéssemos isso juntos – e se financiássemos o carro.

Então, sugeri que rachássemos a conta, cada um pagando metade da prestação de US$ 1.200, além do seguro. Concordamos com a guarda compartilhada entre nossas casas em Connecticut e Michigan. Quando ele completou 25 anos, disse que pagaria a conta se decidisse ir comigo para a pista de corrida.

Eu comprei o carro dos meus sonhos com mais de 60 anos de idade; Sam ainda tem 20 e poucos. Não é incrível?

Sam e eu sempre adoramos carros. Eu repassei a ele alguns dos meus carros, incluindo um Jensen-Healey 1974 e um Mercedes-Benz 230E 1985, com câmbio manual (importado da Espanha). Muitas vezes ligamos um para o outro para conversar sobre carros e sempre trocamos fotos dos mais bonitos que vemos pela rua.

Comprar o Cayman era o próximo passo. E, pelo menos até agora, essa tem sido uma experiência muito satisfatória entre pai e filho, incluindo quando estávamos na concessionária conversando sobre os opcionais que queríamos acrescentar. (Ele insistia no escapamento esportivo de machão. Como não sou muito bom de baliza, quis incluir o sensor de ré).

A Porsche, assim como a BMW, conta há bastante tempo com um programa de entregas que permite que os compradores busquem o carro direto na fábrica na Alemanha. Contudo, em 1999 a BMW criou uma versão americana do programa, permitindo que os compradores busquem o veículo na empresa em Spartanburg, Carolina do Sul. Em abril, a Porsche trouxe um programa similar para Atlanta.

“A entrega europeia é popular há muitos anos e queríamos expandir o programa com uma oferta baseada em nossos novos centros de experiência automotiva da Porsche”, afirmou Andre Oosthuizen, vice-presidente de marketing da empresa.

Ele afirmou que planejavam ampliar o programa também para Los Angeles.

A Porsche não permite que os clientes coloquem os carros novos na pista. Ao invés disso, emprestam um modelo similar para realizar os testes.

A pista de 2,5 quilômetros da Porsche fica nos arredores do Aeroporto Internacional de Hartsfield-Jackson, em Atlanta. Na verdade, a pista fica na Saída 8L-26R e os aviões passam bem perto dela durante a corrida. Ficar perto de todos esses barulhos de motor é emocionante.

A entrega do carro é um acontecimento especial. O gerente do centro de entregas, Ray Shaffer, leva você até a sala de entrega, onde as chaves estão sobre uma mesa e o carro está embrulhado. Em seguida, passamos para a pista para um treinamento de 90 minutos.

A pista tem seis módulos, incluindo um trajeto de manobras, um de aquaplanagem e uma pista de terra.

A Porsche me colocou em um Cayman GTS 2016 e foi incrível poder levar o que era basicamente meu carro através da pista de manobras e, depois de algumas tentativas, conseguir fazer uma curva em alta velocidade.

Depois, pude testar a aceleração do carro quando o instrutor me ensinou como utilizar o controle de lançamento. Imagine ajustar o câmbio e queimar borracha, mas com a vantagem de estar equipado com uma transmissão automática de alta tecnologia.

Contudo, meu dia começou a derrapar quando o instrutor me levou para a pista de aquaplanagem e eu fui submetido a algumas rodadas de humilhação.

Nunca gostei de derrapar e esse exercício foi especialmente complicado. Quando entrei na pista, a camada de água fazia o carro derrapar, mas não dá pra saber se vai virar para a direita e para a esquerda. Assim como na vida real, temos que reagir na mesma hora, virando o volante agressivamente, derrapando até conseguir centralizar o carro.

Todas as vezes, eu virava o volante para o lado errado, servindo de entretenimento para os visitantes que assistiam tudo de uma plataforma com vista para a pista.

Por fim, na minha oitava tentativa, consegui. Preciso dizer que meu instrutor, Trevor Andrusko, disse que a manobra era mais difícil com um motor de porte médio como o Cayman do que com outros veículos. Não que eu esteja procurando uma desculpa.

Depois fiquei sabendo que Sam acertou na primeira, com seu Boxster 718 com motor de médio porte – e ficou muito contente em me contar tudo. Aparentemente, existem limites para a harmonia entre pais e filhos.

Shaffer me contou que eu não era o primeiro pai a participar do programa com um filho. Um pai e filho de Nova Jersey compraram um Cayman GT4 2016 em julho deste ano. E em agosto, outro veio de Detroit com a filha para buscar um Cayman GT4.

Eu entendo porque a BMW e a Porsche oferecem essas experiências de entrega. Comprar um carro novo, não importa o modelo, é incrível. Mas ir à sede de uma empresa e entrar com o carro na pista de corrida é imbatível.

Para quem tem tempo, dinheiro e é apaixonado pela marca, essas viagens são uma ótima opção para ir além dos acentos aquecidos.

E se puder, venha com seu filho.