Os dilemas do Starbucks

A rede americana de cafeterias Starbucks continua apresentando bons números, mas não decola. A empresa sediada em Seattle apresenta hoje seu relatório trimestral. A previsão é de aumento tanto na receita, de 5,34 bilhões de dólares para os três últimos meses, frente a 4,88 bilhões do mesmo período do ano passado, como no lucro por ação – de 42 centavos de dólar para 49. São bons números para uma companhia que viu suas ações caírem 4% desde o começo do ano.

A empresa consegue crescer na principal métrica para o varejo: o aumento de vendas por loja. No trimestre anterior, o crescimento ficou em 6% e a expectativa é que o número continue parecido para os próximos. Segundo analistas, o sucesso do programa de fidelidade e o uso de aplicativos para fazer pedidos e pagamentos contribui para esse crescimento.

Outro ponto positivo: recentemente, a empresa anunciou um aumento de 15% para todos os empregados que trabalham nas lojas, além de dobrar o prêmio em ações para empregados com mais de dois anos de casa. O anúncio veio depois de seguidas reclamações dos empregados por baixos salários (logo depois, a empresa aumentou os preços de suas bebidas).

O maior desafio para o futuro é quebrar a imagem de uma grande rede de fast food e oferecer a seus consumidores a sensação de estar sentados no café do bairro. Para isso, o Starbucks comprou a pequena rede de padarias artesanais italiana Princi, que deve se tornar a fornecedora exclusiva de alimentos. O problema é que a Princi só tem cinco lojas e integrar com uma cadeia de quase 25.000 será complicado. A estratégia já falhou uma vez, quando o Starbucks comprou a rede La Boulange, em 2012. Vamos ver se agora a jogada dá certo.