O futuro e o resgate do Monte dei Paschi

Após meses de incerteza, o banco mais antigo do mundo teve seu resgate aprovado pela União Europeia

Pende na balança o destino do banco mais antigo do mundo. Depois de meses de incerteza sobre seu futuro financeiro, o Monte dei Paschi di Siena, o banco mais antigo do mundo e quarto maior da Itália, irá ser socorrido pelo governo da Itália. 

O resgate foi aprovado pela União Europeia e será no valor de 5,4 bilhões de euros, ou 6,1 bilhões de dólares. O plano de reestruturação do banco — que deve durar 5 anos e trazer garantias, além da viabilidade de longo prazo do Monte dei Paschi — será apresentado nesta quarta-feira.

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O calvário do Monte dei Paschi começou no ano passado depois que anos de gerenciamento ruim aliados a empréstimos podres culminaram com a deterioração da confiança do setor bancário italiano como um todo.

O governo da Itália disse que resgataria o banco em dezembro, depois que tentativas de levantar capital privado falharam. A dívida total do banco é de 8,1 bilhões de euros, mas o resto será pago por acionistas minoritários, que venderão 2,7 bilhões de euros em ações. Com o aporte financeiro público, o governo italiano terá uma fatia de 70% do banco.

Somado o empréstimo ao Monte, o governo italiano elevou para 20 bilhões de euros o valor tirado dos cofres públicos para resgatar bancos no país só nesta semana.

Apesar da crise que acomete o setor bancário, o governo da Itália acredita que pode tirar lucros dos empréstimos feitos. “Eu estou confiante que o dinheiro estatal será recuperado, talvez até com juros”, disse ontem o ministro de Finanças da Itália, Pier Carlo Padoan.

A história do Monte dei Paschi não deve acabar agora, mas serve para jogar luz ao problema financeiro europeu. Com a exceção da Grécia, a Europa não aprovava grandes resgates feitos por Estados desde a crise financeira global de 2008. O movimento na Itália levanta medos políticos do uso de recursos públicos para socorrer instituições mal administradas.

O sistema bancário da Itália é um dos mais fracos da Europa, com cerca de 200 bilhões de euros em títulos podres, depois de anos sofrendo com baixas taxas de juros, lucros parcos e um crescimento econômico muito pequeno no país.

A crise bancária tem prejudicado o crescimento da Itália como um todo: é esperado que o país cresça somente 1% este ano, cerca de metade do crescimento médio do bloco e muito aquém de outras nações europeias.