Novos rivais regionais não ameaçam Embraer; A320neo sim

Modelo da Airbus ameaça a fabricante brasileira de aviões

Paris – A ameaça de novos concorrentes da Embraer de Rússia, Japão e China na produção de jatos regionais não se fez presente na Paris Air Show.

Mesmo não sendo um competidor direto dos aviões da fabricante brasileira, parece ter sido o A320neo, da Airbus, aquele que mais provocou.

Até o início da tarde de quarta-feira na França (manhã no Brasil), a fabricante europeia aparecia como vitoriosa no salão de aeronáutica que acontece esta semana no aeroporto de Le Bourget, como amplamente previsto, com pedidos de dezenas de bilhões de dólares anunciados, a maioria deles para o A320neo, versão do seu campeão de vendas A320.

O A320neo –embora não rivalize com os E-Jets da Embraer de 70 a 122 passageiros por ter maior porte– afeta a fabricante brasileira e toda a indústria, à medida que pode fazer com que companhias aéreas reavaliem seus planos de frota. O novo avião da Airbus promete economia relevante de combustível em um momento de preços do petróleo em alta.

“O mercado está muito desafiador, com novos concorrentes, novos produtos. Até o A320neo acaba influenciando”, afirmou à Reuters o vice-presidente de Aviação Comercial da Embraer, José Paulo de Souza e Silva, durante a feira.

A norte-americana JetBlue vai comprar 40 unidades do A320neo e otimizar o uso do Embraer 190, de 100 passageiros, com expectativa de operar 75 jatos brasileiros.

A encomenda firme da JetBlue com a Embraer, fechada em 2003, é por 100 aeronaves e todas elas serão entregues, segundo a fabricante. O destino que será dado pela JetBlue aos cerca de 25 jatos Embraer 190 não utilizados é incerto. Normalmente, em casos assim, os jatos são repassados a outras empresas aéreas pelas próprias companhias que os compraram.

Outros potenciais operadores de jatos da Embraer que compraram aviões A320neo em Le Bourget são a colombiana Avianca e a indonésia Garuda. A última ainda tem planos de comprar 25 aviões regionais, com expectativa de escolha do fornecedor em três meses. A canadense Bombardier e a fabricante brasileira disputam esse contrato.

Rivais Regionais

A russa Sukhoi e a japonesa Mitsubishi Aircraft apenas apresentaram atualizações de seus programas de aviões regionais nos primeiros dias da Paris Air Show, sem anunciar encomendas.

O SuperJet 100, da Sukhoi, entrou em operação neste mês com a companhia aérea russa Aeroflot, mas por enquanto só tem certificação para voos naquele país. A expectativa é conseguir aval de autoridades para voos na Europa no segundo semestre.


A Sukhoi espera anunciar vendas de seu jato comercial em agosto, durante a feira aérea de Moscou, e está negociando com empresas aéreas da Índia.

O presidente-executivo da SuperJet International, responsável pelas vendas do SuperJet 100 na Europa e em outras regiões, Carlo Logli, admitiu que a entrada de um avião no mercado europeu é difícil, já que as companhias aéreas do continente são muito cautelosas com produtos novos. “Os europeus precisam ver o avião em operação (para comprá-lo).” A Mitsubishi Aircraft informou que os primeiros voos do MRJ serão no ano que vem, com entregas começando a partir de 2014. Em dezembro de 2010, a empresa japonesa tinha mais de 100 encomendas por seu jato regional, que diz ser o mais silencioso no segmento.

Pouco se fez menção ao jato regional em desenvolvimento pela China, o ARJ-21, na feira em Le Bourget. O presidente-executivo da Embraer, Frederico Curado, disse à Reuters no último domingo que não vê muita ameaça do avião chinês, embora reconheça que ele tende a ter uma participação importante dentro daquele país.

Cseries

Um pouco afastado dos E-Jets da Embraer e brigando por mercado mais diretamente com o A320 e o Boeing 737, a nova família de aviões CSeries da Bombardier, de 110 a 145 assentos, desapontou analistas depois que Qatar Airways anunciou que iria adiar sua decisão de compra.

Até agora em Le Bourget, a Bombardier fechou uma carta de intenções com a Koren Air Lines para compra de 10 unidades do CS300, com outras 20 opções e direitos de compra. Além disso, recebeu encomenda por 10 aeronaves CS100 de um cliente cujo nome não foi revelado.

A Bombardier tem agora 113 pedidos firmes pelos aviões CSeries e seis clientes.