Novas áreas vão pressionar caixa da Petrobras, diz Fitch

Segundo a agência, acordo com o governo pode enfraquecer sua qualidade de crédito autônoma

Rio – A decisão do governo sobre a contratação direta da Petrobras para operação nos volumes excedentes da cessão onerosa deverá colocar pressão sobre a capacidade de geração de fluxo de caixa da empresa e pode enfraquecer sua qualidade de crédito autônoma, disse a agência de classificação de riscos Fitch em comunicado distribuído nesta sexta-feira, 27.

A decisão do governo exige um pagamento R$ 2 bilhões em bônus para o governo durante 2014 e antecipação de R$ 13 bilhões em lucros para o governo entre 2015 e 2018, de forma significativa, antes que o óleo seja produzido nas áreas atribuídas, ressaltou a agência.

“Estes pagamentos devem colocar uma carga adicional sobre o fluxo de caixa livre já negativo da Petrobras resultante de seu programa de investimentos agressivo”, diz o comunicado.

De acordo com a agência, esses pagamentos, junto com perdas esperadas em “downstream” (atividades de refino do petróleo, tratamento do gás natural, transporte e comercialização de derivados) para este ano e com um crescimento moderado da produção em 2014, devem ter um impacto negativo na geração interna de fluxo de caixa da empresa e aumentar a dependência de crédito.

A Fitch estimava, no começo do ano, que a necessidade de crédito da Petrobras ficaria em torno de US$ 15 bilhões, em média, no médio prazo.

Contudo, os desdobramentos recentes devem aumentar a necessidade da empresa por financiamento externo para além dessa previsão.

“Os fatores que podem resultar em uma ação negativa nos ratings da Petrobras, independente de um downgrade soberano, incluem a percepção de uma relação menor entre a Petrobras e o governo, junto com um enfraquecimento sustentado das métricas de crédito autônomas (‘stand-alone’). Fatores qualitativos que podem pressionar os ratings da Petrobras incluem um aumento sustentado da alavancagem para a relação dívida total/ebitda de mais de 5,0 vezes. Além disso, a falta de acesso ao mercado de capitais para financiar o fluxo de caixa livre negativo seria prejudicial, assim como a incapacidade de aumentar a produção no médio prazo”, afirmou a agência.