São Paulo - Uma eventual alteração do controle da Telecom Itália, que comanda a TIM no Brasil, poderia trazer consequências para o cenário competitivo de telefonia móvel no País. O mercado de celulares no Brasil é um dos mais acirrados do mundo, com quatro empresas dividindo o setor.

De acordo com informações divulgadas na quinta-feira, 5, pela agência de notícias Dow Jones, Telefónica e América Móvil estariam entre os possíveis compradores de participações de alguns acionistas da Telco, holding que administra a Telecom Itália.

“"Seria péssimo para o cenário concorrencial brasileiro, pois haveria um desequilíbrio de mercado para as empresas remanescentes"”, disse o ex-ministro das Comunicações e sócio da Orion Consultores, Juarez Quadros, diante do cenário de eventual aquisição da TIM Brasil por espanhóis ou mexicanos.

Em sua avaliação, tal negociação não encontraria impedimentos no campo regulatório ou societário. “Não vejo grandes obstáculos, pois é uma operação realizada no exterior”, acrescentou.

Entre os analistas, a única certeza é que tal cenário de incorporação da TIM, seja pela Vivo ou pela Claro, afetaria a concorrência, o que poderia acarretar alguma restrição por parte do órgão de defesa do concorrência. “

"Não sei se a operação seria barrada, mas poderia haver alguma manifestação do Cade, por exemplo, para que as empresas se mantivessem separadas em algumas regiões como forma de redução da competição"”, afirma a analista da Concórdia Karina Freitas.

Liderança

A atratividade da TIM se encontra no fato de ser praticamente uma operação móvel, com a liderança no mercado de telefonia pré-paga, o que complementaria a estratégia das demais, que priorizaram o pós-pago.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em julho a TIM liderava o mercado pré-pago com 28,8% de participação, à frente da Vivo (26,2%) e Claro (25%), enquanto no pós-pago a operadora italiana tem uma fatia de 20,9%, inferior a da Vivo (38,1%) e da Claro (24,8%).

Para os analistas do Itaú BBA, Susana Salaru e Gregorio Tomassi, caso a Telefônica fosse a compradora, a Anatel poderia impedir sua participação nas decisões estratégicas da TIM (formato já existente desde que a Telefónica adquiriu fatia na Telco, mas com um maior grau de complexidade dessa situação) ou ainda criar empecilho em razão da concentração de mercado ou por alguma outra questão de ordem regulatória, neste caso aplicável também à Claro.

Os analistas do Itaú BBA destacam, porém, que uma eventual negociação no âmbito da Telco poderia deixar de fora a TIM Brasil. Em relatório a clientes, o Itaú afirmou que o comando da Telecom Itália vem ressaltando que enxerga as operações brasileiras como um ativo importante e de rápido crescimento. A TIM informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comentaria o caso.

Acionistas

A holding Telco, que tem entre seus acionistas a Telefónica da Espanha, a Assicurazioni Generali, o Mediobanca e a Intesa Sanpaolo, possui 22% das ações da Telecom Italia. O acordo prevê que os acionistas não podem vender os papéis para terceiros sem antes oferecê-los uns aos outros. Mas isso expirará em 28 de setembro, a partir de quando eles poderão vender suas participações livremente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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