São Paulo - Em um cenário de elevada competição no comércio eletrônico brasileiro, a B2W, maior empresa do setor, avança no mercado de distribuição, ao mesmo tempo em que as companhias de entrega expressa planejam sua expansão com base na crescente dependência do varejo digital.  

Em junho, a companhia controlada pela Lojas Americanas, que opera sites como Submarino e Americanas.com, anunciou a aquisição da Direct Express por 127 milhões de reais.

Uma das maiores distribuidoras privadas de pequenos volumes no país, a empresa prestava serviços para rivais da B2W como a Nova Pontocom, do Grupo Pão de Açúcar, e Walmart.com, concorrendo diretamente com os Correios, do governo.

"Foi uma jogada da B2W não somente para deter os ativos (da Direct), mas também para incomodar os concorrentes. Imagine você depender de uma empresa da qual seu concorrente principal é sócio majoritário?", disse o diretor da empresa de pesquisas sobre o varejo online E-bit, Pedro Guasti. 

Com a investida, a B2W também reforçou sua aposta na verticalização das entregas após a compra em 2013 da Click-Rodo, que distribui produtos de mais de trinta quilos. Procurada, a companhia não se manifestou sobre a estratégia.

"As grandes que têm escala, que possam demandar tanta entrega, provavelmente vão caminhar por aí", avaliou Guasti. Ele afirmou que a entrega confiável, rápida e com muita informação de rastreamento ganhará cada vez mais importância para o consumidor, lembrando que a norte-americana Amazon.com, referência para o setor, é cada vez mais reconhecida por sua atuação como distribuidora.

Mais negócios

Enquanto no Brasil a maior companhia de comércio eletrônico aprofunda sua incursão no mundo das entregas, as empresas de distribuição passam a olhar cada vez mais para o e-commerce como motor de crescimento de suas receitas, também se aproveitando do momento para ganhar os clientes que eram atendidos por empresas compradas pela B2W.

"A gente sentiu isso pela demanda de propostas de negociação, teve fluxo bem grande de empresas nos procurando desde junho para passarmos a atendê-las", afirmou o diretor comercial da JadLog, Ronan Hudson, estimando que, como consequência, o faturamento da companhia deverá avançar 18 por cento no ano, a 380 milhões de reais, ante expectativa anterior de 15 por cento.

Para ganhar musculatura e aproveitar o crescimento do e-commerce, que responde por 23 por cento de sua receita ante participação "irrelevante" há cinco anos, a JadLog está avaliando a aquisição de rivais, visando principalmente roubar uma fatia do mercado que hoje pertence aos Correios, completou Hudson.

Horizonte favorável

A movimentação tanto por parte das empresas de comércio eletrônico quanto pelas empresas de distribuição tem como pano de fundo a vigorosa expansão do e-commerce, enquanto o varejo como um todo vem perdendo o fôlego mostrado nos últimos anos em um cenário de inflação e juros altos.

Só no primeiro semestre, as vendas online subiram 26 por cento sobre igual período do ano passado, a 16 bilhões de reais, enquanto o número de pedidos pelo canal avançou 35,5 por cento, a 48,17 milhões, segundo dados da E-bit. Já as vendas do varejo tiveram alta de 5 por cento no acumulado do ano até maio, conforme os últimos dados do setor divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em um contexto de margens apertadas, a busca por redução nos custos do transporte acabou impulsionando o mercado de cargas fracionadas, em que caminhões transportam encomendas de diferentes clientes, aumentando a competição com os Correios Atualmente, cerca de 25 por cento das encomendas totais dos Correios devem-se ao comércio eletrônico.

A participação relevante fez a empresa atualizar nove sistemas de tratamento de encomendas e adquirir outros seis em uma primeira etapa, mediante um desembolso total de 200 milhões de reais. 

Em outra frente, a estatal contratará 57 mil acessos de dados e voz, com fornecimento de smartphones em regime de comodato, para que os carteiros registrem momento e local de entrega e tenham acesso em tempo real a correções de rota e redirecionamentos, ao custo estimado de 45 milhões de reais por ano. Hoje, são cerca de 2.500 linhas contratadas para o serviço expresso de entregas Sedex 10.

"Todos os correios do mundo estão com várias ações para se reinventar para o comércio eletrônico", disse o gerente corporativo de comércio eletrônico dos Correios, Lemuel Costa e Silva, citando o declínio do tradicional negócio de correspondência. "(As empresas de e-commerce) têm benefício de uso de tecnologia intensa. Os Correios têm buscado esse mesmo investimento para que haja maior produtividade", disse.

Tópicos: Comércio eletrônico, Varejo, Setores, Comércio