São Paulo - "Deus me deu a experiência de saber o que era meme", disse Luiza Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza, sobre o emblemático debate que protagonizou em um programa de televisão – e que terminou com seu rosto estampado em diversas imagens na internet.

O comentário arrancou risos da plateia do seminário Perspectivas Comerciais e Econômicas, promovido pela Amcham (Câmara Americana de Comércio), nesta terça-feira (16), em São Paulo.

A entrevista que Luiza mencionou foi concedida em janeiro de 2014. Nela, a empresária afirmava enfaticamente que o varejo brasileiro não passava por nenhuma crise, contradizendo um dos apresentadores.

"Terminamos o ano de 2013 com o menor índice de inadimplência possível", dizia, emendando que poderia enviar os dados por e-mail, caso o entrevistador quisesse conferir.

De fato, aquele ano teve menos calotes do que o anterior, segundo dados do IDV (Instituto de Desenvolvimento do Varejo) e também da Serasa Experian.

Hoje, porém, a realidade é outra – e Luiza Trajano reconhece. "Todos sabemos que o momento é muito difícil e que estamos vivendo uma crise política das piores", disse.

Questionada sobre se estava enganada há dois anos, ela explicou: "eu não falei que o Brasil ia continuar crescendo, eu falei daquele momento, quando a inadimplência estava mais baixa".

Ano ruim

Os resultados do Magazine Luiza em 2015 só serão divulgados no mês que vem, mas a empresária sinalizou que os números não devem ser animadores.

"O ano passado foi um dos piores da empresa, principalmente quando comparado a 2014, que foi o melhor da nossa história", disse.

Ela lembrou o baque sofrido pela companhia em maio de 2015, quando oito caminhões com celulares e eletrônicos foram roubados de um dos centros de distribuição por uma quadrilha fortemente armada. Apenas cinco deles foram recuperados.

"Tivemos que aprender a lidar com isso", disse.

Outro fato inédito que o Magazine teve de encarar recentemente foi o enxugamento de sua esturutura administrativa. "Tivemos um corte de pessoal, coisa que eu nunca tinha feito em 40 anos", comentou.

A redução de quadro foi anunciada no mês passado e é parte do trabalho da consultoria Galeazzi, contratada pela varejista para buscar eficiência.

Também estão no plano a renegociação de contratos de aluguéis de lojas e armazéns e uma possível conversão de 2.000 funcionários que trabalham no caixa em vendedores.

Esforços

O Magazine tem tomado ainda outras medidas para contornar o cenário ruim. Por lá, o lema é "fazer mais com menos", segundo Luiza.

Foi com essa ideia – juntamente com um pesado planejamento junto a fornecedores e trabalhadores – que a rede conseguiu baixar os custos de reforma de seus pontos de venda de 1 milhão de reais para 200.000 reais.

A empresa também aposta fortemente em meios digitais. Ela tem hoje 50 engenheiros dedicados ao Luiza Labs, laboratório de desenvolvimento de soluções tecnológicas como o novo aplicativo que permite fazer compras com apenas um toque na tela.

"Já temos também 1.000 funcionários vendendo ao telefone. Quem não entrar na área digital não vai sobreviver", reforçou a presidente do conselho da companhia.

Outro ponto em que a varejista concentra energias é a comunicação e envolvimento do time. De setembro a dezembro do ano passado, todos os 800 empregados administrativos participaram de uma competição em que se transformaram em vendedores.

Cada um deles ganhou um código de vendas. "Eles tinham que ligar para amigos, tinham ofertas especiais e toda segunda-feira fazíamos o ranking de quem vendeu mais. O pessoal da área financeira é que ganhou", contou Luiza, animada.

Os vendedores também foram treinados para "fazer propaganda" para a empresa no Facebook. "Sai cada vídeo cafona, mas você não imagina o quanto dá certo!" disse.

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