São Paulo - O consórcio asiático sócio da Namisa, mina de minério de ferro na qual a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) possui uma participação de 60%, está interessado em firmar acordo com a companhia presidida por Benjamin Steinbruch e até injetar capital para aumentar a capacidade da mina.

Segundo fontes próximas às negociações, as empresas asiáticas estão, neste momento, decididas a encontrar uma solução para o imbróglio com a CSN e voltar a investir no projeto. O objetivo é quase quintuplicar a produção em um período de dois a três anos.

As discordâncias envolvendo o rumo da Namisa, assim como a falta de investimentos da mina, levaram a uma insatisfação dos sócios asiáticos no empreendimento. Em 2011, a gigante Nippon Steel, que também fazia parte do consórcio, abandonou o projeto, fato que foi interpretado pelo mercado como uma mensagem negativa.

Na época, investidores não conseguiram encontrar uma explicação de mercado para um produtor siderúrgico ter abandonado um projeto de minério de ferro no mesmo momento em que outras siderúrgicas asiáticas estavam tentando entrar na produção de matérias-primas. A saída da siderúrgica japonesa ocorreu pouco tempo depois de Jayme Nicolato, então diretor de mineração da CSN, deixar a empresa.

Segundo fontes, as discórdias continuaram com os sócios remanescentes e este ano se colocou à mesa a possibilidade do consórcio exercer a opção de venda (“put”), um item previsto no acordo de acionistas assinado na época do negócio. A opção pode ser usada, caso sejam descumpridas determinadas obrigações, chegando a um “impasse extremo”. Hoje, a Itochu, com 22% da Namisa, é a líder do consórcio asiático sócio da Namisa, que conta com as siderúrgicas japonesas JFE Steel, Kobe Steel e Nisshin Steel, a sul-coreana Posco e a taiwanesa China Steel.

O plano de negócios da Namisa, apresentado em 2008 para o consórcio comprador da mina, contemplava uma expansão com meta de comercialização de 38 milhões de toneladas a partir de 2013. Hoje a produção da mina está em 6 milhões de toneladas anuais. Em entrevista recente ao Broadcast, o diretor de mineração da CSN, Daniel dos Santos, disse que a capacidade da Namisa irá subir para 29 milhões de toneladas em um período de dois a três anos.

Uma fonte próxima do consórcio disse que as companhias asiáticas estão dispostas a buscar um acordo e já planejam injetar capital na Namisa para que a capacidade de produção atinja as 29 milhões de toneladas o mais rápido possível. Sem ofertas de minas de ferro, a não ser em áreas de difícil acesso, o consórcio não quer seguir o mesmo caminho da Nippon e abandonar o projeto.

Em 2008, quando vendeu a fatia da mina, a CSN recebeu do consórcio asiático US$ 3,08 bilhões por 40% da Namisa. Se a parceria for desfeita, a CSN terá que devolver o valor corrigido. Nesta semana, Steinbruch disse que está otimista em relação às discussões entre a siderúrgica e suas sócias asiáticas na Namisa e que a expectativa é que as partes cheguem a um acordo. O prazo para o exercício da opção de “put” venceu em julho, mas segundo o executivo foi estendido até o fim do mês e deverá ter seu prazo ampliado mais uma vez.

O presidente da CSN disse que entrar na Justiça “é sempre a última opção”. “Nós queremos que o caso seja resolvido. É uma mudança de rumo (da Namisa). É uma associação para se criar a terceira mineradora de minério de ferro do mundo”, disse o executivo.

O desejo da CSN de unir seus ativos de mineração (Namisa e Casa de Pedra) sob um único guarda-chuva é antigo. No passado, a oferta inicial de ações da Casa de Pedra era um dos grandes negócios aguardados pelo mercado. Depois da venda de uma fatia na Namisa ao consórcio, um dos impasses criados, segundo uma fonte, era de que a participação dos sócios seria diluída em uma eventual fusão das duas minas, o que não era de interesse dos asiáticos. Esse ponto continua em discussão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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